Brasília, 17 (AE) - As mulheres ocupam menos cargos de chefias que os homens no serviço público e, normalmente, recebem salários mais baixos, atesta a última pesquisa Diagnóstico da Situação da Mulher na Administração Pública Federal, a ser divulgada esta semana pela Secretaria de Administração. O levantamento mostra que, do total de cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) que são de livre escolha da autoridade superior no setor, 59,6% são ocupados por homens e 40 4% preenchidos por mulheres.
Quase metade dessas servidoras (46,1%) está lotada como DAS 1, que paga o menor salário entre os seis níveis de cargos comissionados. Em cada um dos seis níves desses cargos comissionados, os homens são maioria. A participação da mulher é proporcionalmente menor nos níveis mais elevados, que pagam melhores salários. Entre os DAS 6 (nível de secretários nacionais), por exemplo, apenas 13,8% são mulheres.
Escolaridade - Para a secretária de Administração Claudia Costin, essa distribuição desvantajosa para o sexo feminino soa estranha, comparada com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Educação (MEC) atestando que a mulher tem maior escolaridade que o homem. Elas possuem mais títulos de doutorado e mestrado. Claudia revela que, no serviço público, "quando há um cargo para preencher, não se pensa na mulher". Por isso, começou a montar um Banco de Talentos, onde serão catalogados currículos de mulheres e de homens servidores públicos. "Para que, num momento de escolha, se olhe para o currículo", explica.
A pesquisa mostra que as mulheres se candidatam menos que os homens a vagas no serviço público para as carreiras melhor remuneradas. "Elas se inscrevem pouco mas, quando se inscrevem, saem bem", observa Cláudia. O estudo revela que, dos 510.262 servidores de carreira, 56,2% são homens e 43,8% são mulheres. A presença feminina é menor nos cargos mais complexos.
Carreiras - Os homens ocupam mais carreiras de gestão. Apenas 16,7% dos analistas de comércio exterior são mulheres. Elas representam 24% entre os técnicos de planejamento e pesquisa e 29,9% entre analistas de orçamento/finanças e controle. À medida que a complexidade do cargo diminui, a participação feminina aumenta. Elas representam, por exemplo, 49 3% do total dos técnicos de orçamento/finanças e controle.
O levantamento revela desequílibrio também na carreira de diplomacia. As mulheres ocupam apenas 18,8% dos cargos de terceiro secretário a ministro de primeira classe. Mas são maioria na função de oficial de chancelaria (62,9%) e na de assistente de chancelaria (56,4%). A participação feminina não chega a ser expressiva nem em ministérios da área social, onde se acreditava que haveria maior número de mulheres pela "afinidade" com a tarefa. No Ministério da Previdência Social, 58,3% são mulheres. No Ministério da Educação, 46,8% e, no Ministério da Cultura, 7,2%.

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