Mulheres são chefes de 24% das famílias brasileiras
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 11 (AE) - O número de mulheres que sustentam sozinhas a casa cresceu 60% de 1990 a 97, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). No início da década, 15% das famílias eram chefiadas por mulheres. Atualmente são 24% , cerca de 10 milhões de famílias. Os dados refletem a mudança no comportamento feminino nos últimos anos, já que se distribui quase homogeneamente por todas as classes sociais.
A Região Sudeste concentra a maior parte deste contingente, com 4,6 milhões de "famílias chefiadas por mulher, sem cônjuge e com filhos", como consta da classificação do IBGE. O destaque fica com o Estado de São Paulo, com 1,4 milhão de famílias. "Este não é um fenômeno exclusivamente brasileiro", observa a pesquisadora Ana Lucia Saboia, uma das coordenadoras da Síntese de Indicadores Sociais, que traça o perfil da população do País. "São casos que vêm se repetindo até com mais força nos países desenvolvidos."
Apenas uma pequena parcela, ainda não mensurada dessa população é formada pelas mulheres que optaram pela chamada "produção independente". O restante são de mulheres divorciadas, separadas, ou mesmo abandonadas por companheiros e namorados, como ocorre com mais frequência nas classes mais pobres. Ana Lucia estima que a maioria delas chefia a família sem qualquer ajuda financeira externa. "Há também os casos, cada vez mais comuns, em que os ex-maridos contribuem com o pagamento da escola e de planos de saúde dos filhos, mas não com o custeio do dia a dia", lembra a pesquisadora.
Os levantamentos do IBGE, que incluíram, além dos dados da PNAD, informações de outros órgãos oficiais, como os Ministérios do Trabalho, da Saúde e da Educação, indica que, apesar do crescimento do "modelo monoparental feminino", a forma mais frequente de organização familiar continua sendo a do casal com filhos, que atinge 56,7%.Demonstra, também, que grande parte das famílias com crianças na primeira infância, em especial as chefiadas por mulheres, encontram-se numa situação financeira particularmente difícil.
Em todo o Brasil, 29% das mulheres chefes de família ganham até meio salário mínimo; 24% de meio a um salário; 20% de um a dois, e 27,1% têm renda superior a dois salários mínimos. Na região metropolitadana de São Paulo, porém, onde é mais comum esta estrutura familiar, a situação é bem melhor: 47% das famílias chefiadas por mulher têm rendimento superior a dois salários mínimos.
No Nordeste a situação é quase sempre inversa. No Maranhão, por exemplo, o porcentual de mulheres que sustentam os filhos e ganham até meio salário mínimo chega a 60%, enquanto as que ganham mais de dois salários é de apenas 6%. Segundo Ana Lucia Saboia, em relação aos rendimentos o fato se repete indiscriminadamente entre a população feminina.
Confirmando tendência histórica, as mulheres, de um modo geral, recebem 60% do que é pago aos homens. "Além disso, numa situação de crise, como a vivida atualmente, são as mulheres as primeiras a serem dispensadas", comenta. Mesmo assim, o participação feminina no mercado de trabalho tem aumento significativamente: passou de 31% para 47,2% de 1981 a 1997.


