Mulheres são agredidas e não têm atendimento
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domingo, 21 de maio de 2000
Agência Folha De Ribeirão Preto 
Os casos de violência contra a mulher tiveram um crescimento de até 62% em cidades da região de Ribeirão Preto entre 97 e 99. Ainda assim, os maiores municípios não dispõem de nenhum tipo de projeto ou local para auxiliar as vítimas de agressões.
O aumento mais expressivo ocorreu em Araraquara, que registrou 1.444 casos de agressão em 99, contra 889 em 1997 aumento de 62,43% e 1.063 em 98 crescimento de 35,85%.
Em Ribeirão, o número de ocorrências sofreu um aumento de 16,67% entre 1997, quando foram registradas 3.714 queixas, e 99, ano que teve 4.333 registros. Em relação ao ano anterior, os casos aumentaram 2,15%.
Em São Carlos, o número permanece estável há três anos, com cerca de mil casos ao ano. Nas três cidades, a maioria dos casos é agressão e com autor conhecido.
As cidades têm em comum a falta de estrutura para atender as vítimas. Em duas delas -Ribeirão Preto e São Carlos-, existem leis para a criação de casas de abrigo, mas que nunca saíram do papel. Em Araraquara, um projeto semelhante está aguardando a sanção do prefeito.
De acordo com as delegacias da mulher, os principais fatores que geraram o crescimento de casos foram a conscientização das vítimas, o aumento da população e a crise social nas áreas urbanas.
O que está ocorrendo é que os problemas crescem junto com a população, disse Eleuse Gaspar Martins, delegada de São Carlos.
Outro fator que dificulta o trabalho da polícia é a suspensão do processo por parte das vítimas, já que o agressor quase sempre é o marido ou o companheiro. Muitas dependem dos maridos para garantir o sustento. No entanto, depois que o respeito entre o casal é quebrado, é muito difícil acontecer uma reconciliação, afirmou Marina Franco da Rocha, delegada de Ribeirão.
A psicóloga Lúcia de Cavalcanti de Albuquerque Williams, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), disse acreditar que está havendo uma maior informação sobre o problema. Mas algumas pessoas ainda resistem à denúncia porque não acreditam na Justiça, disse.


