Mulheres reforçam renda familiar com produtos artesanais
Sid Sauer
De Campo Mourão
A renda familiar de pequenos produtores rurais da área de abrangência da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) está sendo complementada com alimentos e trabalhos manuais realizados pelas mulheres dos cooperados. A dona de casa Laura Bastista Beneton, 48 anos, por exemplo, fatura em média R$ 400,00 com a venda de guardanapos que ela e a filha Lucinéia, 30 anos, fazem e pintam. Esse mês vou tirar mais de R$ 500,00, conta Laura.
As experiências de mulheres que ajudam a complementar a renda familiar foram mostradas na quarta-feira no ginásio da Arcam, em Campo Mourão, durante Encontro de Esposas de Cooperados organizado pela Coamo. No total, 320 mulheres de vários municípios participaram do evento. Laura, que é de São João do Ivaí, diz que começou a vender os guardanapos há 9 anos e que hoje não fica sem ter encomendas.
O começou foi difícil, mas hoje trabalho sem parar, ressalta. Morando no sítio com o marido, Alécio Beneton, Laura diz que passa a maior parte do tempo fora da propriedade, entregando os trabalhos. Outra dona de casa, Irani Lázara Souza de Oliveira, 47 anos, se especializou na produção de alimentos, como conservas, compotas, bolos, tortas, queijos, rapaduras, pães, bolachas e salgadinhos, e hoje é uma das instrutoras da Coamo.
A Coamo é a minha universidade, conta Irani, que vive com o marido, Miguel Alves de Oliveira, num sítio de quatro alqueires, em Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão. Além de repassar o que sabe a outras mulheres e filhas de cooperados, através dos cursos promovidos pela cooperativa, ela comercializa compotas, queijos, rapadura e pães. Mesmo com pouco tempo para o trabalho, ela diz fatura R$ 70,00 por sábado, que é quando pode se dedicar às tarefas.
Irani começou a fazer os alimentos para ajudar na renda familiar há 13 anos e jura que não pára mais. O dinheiro ajuda bastante e eu gosto muito desse trabalho, frisa. Somente este ano, A Coamo já realizou 495 cursos para mulheres, envolvendo 6.101 participantes. São oferecidos 40 diferentes tipos de cursos, sendo 26 deles na área de alimentos e saúde e 14 de trabalhos manuais. Em 21 anos, 90,4 mil mulheres já participaram de pelo menos um desses cursos.
Marilene Beatriz Pelisson, 41 anos, de Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão) se especializou em macramê (entrelaçamento de linhas). Com a ajuda de uma filha de 16 anos, ela diz que faz até dois conjuntos de toalhas de banho por mês, o que lhe garante uma renda de pelo menos dois salários mínimos. Animada, ela só se queixa da falta de tempo. Dona-de-casa é muito atarefada e sobram poucos intervalos, explica.
Mesmo assim, Marilene já conseguiu extrapolar fronteiras. Os trabalhos dela já chegaram a Varginha, no interior de Minas Gerais. Um parente de lá encomendou um trabalho e outras pessoas gostaram e passaram a encomendar também, conta.Donas de casa da zona rural chegam a ganhar R$ 500,00 por mês comercializando alimentos e trabalhos manuais
Sid SauerIrani de Oliveira, de Peabiru, se especializou em compostas e diz que não pára mais de produzirSid SauerMarilene Beatriz Pelisson, de Mamborê, confecciona toalhas com entrelaçamento de linhas (macramê)





