O Brasil fechou a década de 90 com crescimento recorde no número de famílias chefiadas por mulheres e chegou ao ano 2000 com 11,2 milhões - de um total de 44,7 milhões - de brasileiras no comando de suas casas. Entre 1991 e o ano passado, o porcentual de responsáveis pelo domicílio do sexo feminino pulou de 18,1%, em 1991, para 24,9%, segundo o Censo 2000.

Sudeste e Nordeste foram as regiões campeãs em famílias desse tipo - as duas ultrapassaram os 25%. ''Esse dado reflete em parte um dado positivo, que foi a emancipação feminina e a incorporação da mulher no mercado de trabalho, mas também mostra um lado negativo, que é a desagregação das famílias em favelas e periferias dos grandes centros'', analisou Luiz Antônio Oliveira, chefe do Departamento de População e Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, concorda e acrescenta que o fenômeno também deve estar associado com a mudança dos hábitos e costumes e não apenas com miséria e abandono. ''Esse crescimento acontece tanto com as populações miseráveis do Nordeste, como com a mulher de classe A da zona sul carioca. É uma consequência do divórcio e da mudança de costumes, e não deve ser considerado negativo.'' A consequência direta do aumento de famílias comandadas por mulheres foi o crescimento do número de crianças de até 6 anos de idade que vivem apenas com um responsável do sexo feminino - passando de 10,5% para 14,2% no período entre 1991 e 2000.

O Sudeste teve o maior porcentual com esse tipo de família, mas o Estado que concentra o maior número de crianças nessa faixa etária vivendo com mulheres é o Distrito Federal (27%). (Agência Estado)

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