Mulheres protestam por igualdade de direitos
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quarta-feira, 08 de março de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Milhares de mulheres se uniram nesta quarta-feira em todo o país para reivindicar a igualdade de direitos e o combate à violência. Em Londrina, o encontro contou com a participação de representantes de coletivos feministas e de integrantes do Movimento Sem-Terra que lembraram as dificuldades das mulheres do campo. Ceres Hadich, membro da coordenação estadual do MST, ressaltou que a data comemorativa foi de mobilização e luta em todo o país. "Somos contra a Reforma da Previdência, contra a criminalização dos movimentos sociais e pedimos a liberdade imediata de militantes do MST presos pela polícia de forma política", destacou.
As participantes levaram cartazes para o Calçadão de Londrina e divulgaram os motivos do protesto em passeata. A estudante Jéssica Doarte também esteve na mobilização. "É tanta violência contra a mulher e tanta violência de todos os lados que nós precisamos fazer parte dessa luta. Há preconceito até quando amamento em local público, mas não fico intimidada", revelou com o filho nos braços. A psicóloga Sara Toninato destacou a diferença salarial e o medo da violência nas ruas. "Precisamos dar mais visibilidade ao fenômeno da violência contra a mulher. Precisamos discutir a questão do direito ao aborto. Hoje o governo é que decide essa questão que diz respeito ao nosso próprio corpo", apontou. Poucos homens participaram da mobilização.
A pauta de reivindicações dos movimentos feministas engloba a legalização do aborto, o combate à desigualdade de gênero na educação e no trabalho e o combate à violência de gênero. A médica Débora Anhaia de Campos também fez parte da manifestação. Ela é integrante da Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. Por atuar na área, a médica já foi ameaçada de morte em duas ocasiões. Débora ressaltou que o poder público não consegue dar a assistência necessária para as mulheres vítimas de violência.
"Temos mais de 1.500 mulheres com medidas protetivas na cidade e apenas 20 vagas nas casas abrigo. Temos uma infinidade de mulheres que podem ser mortas a qualquer momento. Os familiares também correm risco", alertou. Mais vagas em abrigos e a garantia de funcionamento da Delegacia da Mulher durante 24 horas estão entre as medidas que poderiam ser adotadas a médio prazo, segundo Débora. "A curto prazo, a gente deveria ter novamente uma Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres funcionando de forma independente. Hoje a secretária acumula as secretarias de Assistência Social, de Idoso e da Mulher. Isso é uma perda absurda porque Londrina foi a primeira no país a implantar a Secretaria da Mulher há mais de 20 anos", destacou.
O protesto que começou no final da tarde se estendeu até o início da noite na Concha Acústica de Londrina. Manifestações semelhantes estavam programadas em 40 países.


