Mulheres preparam o corpo para o parto normal
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domingo, 18 de junho de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
EElas ainda são uma minoria, mas algumas mulheres vêm tentando resgatar o que deveria ser considerado natural na hora de ter um filho - o parto normal. Hoje, é preciso preparar o corpo para essa opção.
A fisioteraputa Adriana Paula Fontana Carvalho, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar), concorda que parece um contra-senso falar que as mulheres, que naturalmente sempre estiveram preparadas para conceber e parir, agora precisam se preparar para o parto normal. Mas ela explica que principalmente a inatividade física despreparou o corpo da mulher.
Antigamente, no tempo das nossas avós, as mulheres usavam mais o corpo nas atividades do dia-dia, eram donas de casa. Isso sem falar nas trabalhadoras rurais e nas índias, essas sim com atividades totalmente voltadas para o físico, exemplifica. Isso fazia com que as mulheres tivessem uma musculatura mais forte, articulações mais estáveis e uma postura mais adequada - e o corpo naturalmente mais preparado para cumprir as funções para o qual foi programado.
Há alguns anos, a vida da mulher mudou - com trabalhos mais intelectualizados e com as facilidades trazidas pela tecnologia, a rotina tende a ser mais sedentária. Além disso, a mulher tem deixado para ter filhos mais tarde, depois dos 30 anos, quando as condições metabólica e muscular já são diferentes. Por isso é preciso falar em preparar o corpo para o parto normal, e até mesmo para encarar as mudanças da gravidez, explica a fisioterapeuta.
Durante a gravidez é importante que a musculatura da região lombar esteja mais forte para carregar o peso extra. Isso evita dores nas costas, o que também ajuda a mulher a conseguir manter a posição para o parto normal. Uma musculatura abdominal mais forte evita a má postura, garante uma boa sustentação da barriga, e ajuda na hora da expulsão do bebê. Flexibilidade na musculatura do períneo e da coxa facilitam a passagem do bebê e evitam lacerações.
Se desde antes de engravidar, a mulher tem essa condição física, o parto normal é uma conseqüência. Sem isso, aumentam as possibilidades de contra-indicação para o parto normal, afirma. As contra-indicações mais comuns são o diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia (alteração na pressão arterial), na maioria das vezes causados pelo sobrepeso.
A falta de preparo, segundo a fisioterapeuta, também pode levar a um trabalho de parto prolongado, seja pela ineficácia das contrações ou por uma dilatação lenta. E quanto mais demorado o trabalho de parto, mais estresse, mais nervosismo e mais sofrimento, que não ajudam em nada no parto.
O parto normal tem benefícios para a mãe e para o bebê. Para a mulher, a recuperação no pós-parto é rápida, de 24 a 48 horas - o útero volta rapidamente ao tamanho normal, o aleitamento é imediato, a perda de peso é mais rápida, e não existe o pós-operatório, com dores e cuidados com cicatrização. A placenta é expelida naturalmente, o que evita complicações, não tão comuns, mas possíveis, como hemorragia.
O bebê, como passa pelo canal vaginal no parto normal, já sofre drenagem nos pulmões, e ao contrário da cesárea, não precisa ser aspirado para respirar normalmente. As reações do bebê que nasce através de parto normal são melhores nos primeiros minutos de vida, e até sua coloração é diferente. É mais barato para o hospital, para a família, e a mãe vai estar recomposta para cuidar da criança, ressalta.


