A empresária Cláudia Ferraz, 45, foi morta no dia 7 de fevereiro pelo noivo Arthur Henrique Rockenbach, 30. Nesta sexta (16), amigas e clientes da cabeleireira organizaram uma reunião com vereadoras para pedir justiça. Cobrando júri popular para o acusado e atendimento 24 horas na Delegacia da Mulher, a luta é para que Ferraz não seja apenas mais nas estatísticas de feminicídio.

Uma das organizadoras do movimento, Michele Piccoli explica que, logo após a notícia da morte da empresária, foi organizado um grupo em um aplicativo de mensagens reunindo amigas e clientes da vítima. Segundo ela, a luta é também em prol da memória de Ferraz”. A terapeuta sistêmica conta que conheceu Ferraz quando trabalhava com a venda de cosméticos e que, depois, virou cliente da empresária.

A decisão entre as participantes do grupo foi convocar uma reunião com as vereadoras de Londrina para discutir sobre o crime e pedir medidas que garantam a segurança das mulheres. “O primeiro objetivo é que o caso não seja esquecido. A Cláudia [Ferraz] não vai ser mais um número, mais uma estatística, então a gente quer total transparência em tudo o que acontecer em relação à prisão dele [Arthur Henrique Rockenbach, 30, suspeito do crime]”, explica.

Além disso, outra cobrança é para que Rockenbach seja julgado por júri popular. “Nós sabemos que ele é de uma família [conhecida], só que nós não vamos nos calar. A Cláudia [Ferraz] foi calada, então ela não pode estar aqui falando, mas nós vamos falar por ela”, reforça.

De acordo com informações da Polícia Civil, o inquérito policial do caso foi concluído nesta sexta-feira (16). Arthur Henrique Rockenbach vai responder pelo crime de feminicídio e, se condenado, a pena pode chegar a até 30 anos de reclusão. O suspeito segue preso.

O pedido é para que a Delegacia da Mulher passe a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. “E [é necessário] mais movimento, mais ações, para acabar com a violência contra a mulher. Nós, mulheres, sofremos violência da pessoa que a gente mais ama e eu vejo muito julgamento do por que colocou para dentro de casa, de que está [junto] porque quer. A gente só quer ser feliz”, afirma.

Ferraz e Rockenbach estavam juntos havia cerca de seis meses, sendo que a cabeleireira já estava planejando a festa de casamento.

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a vereadora Daniele Ziober (PP) explica que a reunião foi organizada com o objetivo de pautar os próximos passos a serem tomados no que diz respeito à proteção da vida das mulheres. Segundo ela, a reunião levantou pontos sobre a violência contra a mulher de maneira ampla.

Em relação aos encaminhamentos, a vereadora pontuou que vão ser enviados ofícios para a Cevid (Coordenadoria de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher), que é um órgão dentro do TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná), e para a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública).

Segundo ela, a ideia é organizar uma caravana formada por entidades e mulheres para ir até Curitiba e entregar o ofício ao governador Ratinho Junior (PSD). “O teor desses ofícios é pedindo que seja executado, que seja visto perante a lei federal, que a nossa delegacia [da Mulher] vire 24 horas, com local adequado e que ela realmente tenha respaldo para que as mulheres se sintam acolhidas”, explica.

Além disso, nos próximos dias, deve ser organizada uma manifestação em memória à cabeleireira.

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