Munique, Alemanha - As sete sacerdotisas ordenadas dia 29 de junho passado pelo arcebispo argentino Romulo Braschi, da Igreja Católica Carismática Jesus Rei, afirmaram ontem, durante entrevista em Munique, que não se arrependem de ter dado esse passo e que seguirão adiante enfrentando todas as sanções que lhes forem impostas pelo Vaticano.
''Remorso, arrependimento? De nenhuma forma'', comentou Gisela Forster, porta-voz alemã das mulheres, no momento em que vence o prazo estabelecido pela Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé para que aceitem tornar nula sua ordenação e reconhecer publicamente a culpa.
As mulheres, quatro alemãs, duas austríacas e uma americana, apresentaram ontem um recurso contra o ''monitum'', a advertência formulada dia 10 de julho pelo Vaticano, ameaçando-as com a excomunhão.
Junto com a apelação, apresentaram também um pedido formal para que seja modificada uma palavra no artigo 1024, do código de direito canônico da Igreja Católica, segundo o qual apenas os homens batizados podem ser ordenados sacerdotes.
''A igualdade da mulher está consagrada em todos os países do mundo'', argumentaram. ''As discriminações das pessoas devido a seu sexo estão expressamente proibidas mundialmente e contradizem a concepção cristã da fé'', destacaram, remetendo-se a documentos do Concílio Vaticano II.
''Não cometemos crimes que mereçam o castigo da excomunhão, não rompemos com a fé, não cometemos heresias nem desertamos da fé, fomos ordenadas exatamente como diz o rito católico romano'', acrescentaram.
A excomunhão, da qual são ameaçadas, é a punição mais severa prevista pela Igreja Católica. Existem duas formas de excomunhão ''latae sententiae'' e ''ferendae sententiae'' , em função da gravidade da falta cometida.
Segundo o código de direito canônico, aqueles que se tornam culpados de faltas extremamente graves em relação à doutrina são declarados excomungados automaticamente, ''latae sententiae''.
Para faltas menos graves, ''ferendae sententiae'', a autoridade competente deve tomar uma decisão expressa de excomunhão, após um processo eventual.
As excomunhões são muito raras. A última conhecida foi pronunciada em fevereiro por um bispo do Piemonte, Monsenhor Pier Giorgio Bernardi, contra um padre, Franco Barbero, que abençoou ''casamentos'' entre os homossexuais.
O Vaticano ameaçou também de excomunhão o arcebispo de Zâmbia Emmanuel Milingo que se casou, mas ele renunciou depois ao casamento para se reintegrar ao seio da Igreja.

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