MOBILIZAÇÃO Mulheres montam acampamento no DF Grupo fica até o dia 17 em Brasília onde discute políticas públicas para agricultura, saúde e previdência; estão previstas manifestações Agência EstadoATUAÇÃO FEMININACerca de 3 mil mulheres participam do acampamento montado nas proximidades da Esplanada dos Ministérios, em Brasília Agência Estado De BrasÍlia Três mil mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vindas de 26 Estados ergueram acampamento, ontem, próximo à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, onde permanecerão até o dia 17. A manifestação faz parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8. Mas elas vão aproveitar a permanência na capital federal para discutir as políticas públicas para agricultura, saúde e previdência. Junto com o MST, participam da articulação do evento o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), movimentos de mulheres trabalhadoras rurais de todo o País e membros de organizações regionais – como pescadoras, índias quebradeiras de coco e populações ribeirinhas da Região Norte. O único Estado sem representante é o Amapá. As manifestantes começaram a chegar às imediações do Gran Circo Lar durante a madrugada. A tenda montada permanentemente na capital federal, que costuma abrigar shows e atividades culturais da cidade, se transformou em abrigo para as mulheres em busca de seus direitos. Estão em Brasília trabalhadoras rurais de todo tipo – desde as mais engajadas até as novatas no movimento. Erodice Morais mora em um acampamento no Mato Grosso do Sul e participa de todas as manifestações do MST. ‘‘A gente tem o dia de sair. O dia da volta a gente não sabe’’, disse. Já Rosinéia Pereira partiu de Rondônia para viajar com o MST pela primeira vez na vida. ‘‘Não sei se vai dar certo, mas a gente deve tentar de algum jeito’’, confessou a moça. O auge da programação será amanhã, quando uma caminhada ao longo da Esplanada faz escala no Palácio do Planalto. As mulheres vão levar para o presidente Fernando Henrique Cardoso imensos dragões verdes de isopor. ‘‘Mas ele já disse que não vai receber’’, comentou Darlene Braga, membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Acre. Depois do Palácio, a passeata segue até a rodoviária para uma manifestação conjunta com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). De lá, passam pela Embaixada dos Estados Unidos. ‘‘Para nós, hoje, quem manda neste País é o FMI e os países ricos’’, acusou Adriana Mezadri, uma das coordenadoras do acampamento. ‘‘Vamos lá dar o nosso recado’’.

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