Curitiba- Cerca de 700 mulheres fizeram ontem uma marcha em Curitiba para pedir agilização da reforma agrária e infra-estrutura adequada para cerca de 17 mil famílias assentadas no Paraná. A Mobilização Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais Sem Terra do Paraná é a primeira atividade do calendário de lutas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ''Estamos abrindo as negociações com os governos estadual e federal. Queremos educação nos assentamentos grandes, escolas itinerantes nos acampamentos, postos de saúde e internação hospitalar no mesmo município dos grandes acampamentos e assentamentos'', definiu Solange Parcianello, uma das organizadoras do grupo de mulheres do MST.
Além dos assentamentos, o Paraná conta hoje com 47 áreas ocupadas com cerca de 7 mil famílias. Nestas áreas, não existe qualquer tipo de infra-estrutura como energia, água e melhoria nas estradas. ''Precisamos ainda de agilização destas áreas'', declarou ela. Um grupo de mulheres foi atendido ontem pelo governador Roberto Requião e secretários de Estado. Outro grupo foi atendido pelo superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa de Lacerda. Os maiores problemas registrados por elas estariam sendo verificados nas regiões Central e Oeste do Estado.
Entre as mulheres, muitas crianças. Todas entoando gritos de guerra como ''Mulheres na rua, governo a culpa é sua'' e ''Um, dois, três, quatro, cinco, mil, ou sai reforma agrária ou paramos o Brasil''. A assentada Terezinha Salete Prochnow, de 44 anos, foi uma das participantes da passeata. Ela levou a filha Vandressa, de um ano e sete meses. Terezinha mora no assentamento Nova Itaúna, em Manoel Ribas (146 quilômetros ao sul de Apucarana). Ela resolveu participar da marcha para lutar por verbas. ''Precisamos de estrutura melhor no acampamento e recursos para investir em leite, calcário, arborização e melhoria das nascentes que foram desmatadas. Queremos ainda plantar soja convencional ou orgânica. Mas precisamos de ajuda governamental'', pontuou ela.
Terezinha e Salete perderam cerca de dez horas para chegar em Curitiba. A trabalhadora rural garante que vale a pena. ''Deixei o marido e três filhos para trás. Mas vim para lutar pelos nossos direitos'', disse a assentada. A trabalhadora rural Claudete Sturmer, de 36 anos, mora há nove anos num assentamento coletivo em Paranacity (66 quilômetros ao norte de Maringá) e foi se juntar as demais para lutar por melhorias. ''No meu assentamento tem tudo. Mas as outras mulheres precisam de ajuda'', relatou ela. Claudete deixou no assentamento duas filhas adolescentes. ''São 350 quilômetros de distância de Curitiba. Mas temos que nos unir'', disse a trabalhadora rural.

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