Uma passeata contra a pobreza e a violência sexual atravessou ontem a tarde o centro de Curitiba, saindo da Praça Santos Andrade em direção à Boca Maldita, onde ocorreu a concentração. Perto de 100 pessoas – mulheres em sua maioria – participaram do manifesto que se uniu à Marcha Mundial das Mulheres 2000.
  O movimento no País conta com o apoio de 504 grupos de 25 estados brasileiros. Estes grupos são ligados a representações populares, sindicais, religiosas e feministas. Na Capital a marcha foi organizada pelo Fórum Popular das Mulheres do Paraná. Em São Paulo, a maior concentração ocorreu na capital, com a participação de cerca de três mil pessoas. Em Londrina, a marcha foi realizada antecipadamente, entre final de setembro e início de outubro. Manifestações também foram realizadas em outros estados brasileiros.
  O evento é mundial, mas a finalidade é discutir em cada local onde foi realizado a justa distribuição da riqueza não só entre pobres e ricos, como também entre homens e mulheres, além da igualdade entre os sexos.
  Segundo estudos, 52% da população brasileira é constituída por mulheres, mas somente 41% desse universo participa da faixa economicamente ativa. Porém, há discriminação salarial em relação aos ganhos masculinos. Segundo pesquisas, dos que sofrem com a miséria em todo o mundo, 70% do total é formado por mulheres.
  Assim como a pobreza, a violência é outro tema importante para ser combatido, segundo os organizadores da marcha. Estudos indicam que no Brasil a cada quatro minutos uma mulher é vítima de atos de violência, que vai de uma bofetada ao estrangulamento. Em Curitiba, 56% desse universo ocorre dentro de casa.
  Esta marcha foi criada para sensibilizar os homens, as mulheres, a sociedade em geral para que possamos criar condições para discutir esses temas, explicou Doris Margareth Jesus, coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
  Para Marlene Soares Gwak, do Movimento Estadual de Mulheres do PDT, qualquer movimento, qualquer agregação, colabora no sentido de crescer como um todo.
  A cineasta Berenice Mendes é de opinião que, apesar das conquistas femininas, ainda há muito para ser feito. Hoje, o grande diferencial é que a mulher está disposta a lutar por trabalhos e salários iguais, e divisão nas responsabilidades. E para isso ela está saindo à rua, se expondo. Historicamente a mulher vive na opressão. Ou é a bonequinha de luxo para o status do marido, ou aquela que ajuda a sustentar a casa, disse.

mockup