Mulheres já superam os homens em escolaridade
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sábado, 15 de julho de 2000
Mario Osava Inter Press Do Rio de Janeiro 
O Brasil apresentará no 2º Fórum Mundial de Educação, que será realizado em Dacar (Senegal), de 26 a 28 de abril, resultados importantes, destacando-se a ascensão das mulheres na última década, que superaram os homens em escolaridade e alfabetização. Os homens apresentaram até fins dos anos 80 maior média de anos de estudos, situação que se inverteu entre 1990 e 1996. Nesse período, a população feminina passou de 4,9 para 6 anos de escolaridade, enquanto os homens avançaram somente de 5,1 a 5,7 anos. Paralelamente, o analfebetismo caiu mais acentuadamente entre as mulheres, de 9,4% na idade de 30 a 39 anos a 4% na faixa de 15 a 19 anos. Entre os homens, a queda foi de 11 a 7,9%.
A persistente discriminação salarial das mulheres ao ingressar no mercado de trabalho as estimula a estudar mais, explica o Ministério da Educação. A maior escolaridade está permitindo às mulheres reduzir, de forma lenta mas contínua, a diferença salarial por razões de sexo e a ocupar cargos destacados no trabalho e na política, assinala Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Isso é muito importante, porque mais de um terço das famílias brasileiras é encabeçado por mulheres, acrescenta Maria Helena, que coordena a preparação da participação brasileira no Fórum.
Em seu informe, o Brasil descatacará também a quase universalização do ensino básico, cumprindo a meta educação para todos, lançada no 1º Fórum Mundial de Educação, em Jomtien, Tailândia, em 1990. No ano passado, 95,4% da população de 7 a 14 anos frequentava a escola, ante 86,1% em 1991, superando a meta de 94% que o governo havia fixado para 2003. Contudo, ainda estão excluídos um milhão de meninos e meninas.
Uma forte redução do analfabetismo entre a população de mais de 15 anos, de 20,1% em 1991 para 13,8% em 1998, é outro resultado positivo, se bem que não basta para alcançar o objetivo de diminuir o índice à metade. Os progressos são extraordinários e são resultado de políticas governamentais, como o programa Toda Criança na Escola, e de mecanismos financeiros que aumentaram o salário dos professores em áreas pobres, diz Dulce Borges, coordenadora de educação da representação da Unesco no Brasil.
Em cinco anos, o Brasil poderá alcançar o nível dos países do Norte industrializado, arrisca a funcionária da Unesco, ainda que reconhecendo problemas, como o alto índice de repetência e a escassa atenção a jovens e adultos analfabetos.
O Brasil faz parte do E-9, um grupo de nove países que concentram a metade da população do planeta e 70% dos analfabetos que se contam no mundo. O E-9 manteve sua quarta reunião em princípios de fevereiro, em Recife, no nordeste brasileiro, para avaliar seu desempenho e discutir desafios comuns. Em todos os países integrantes do grupo, uma alta proporção de população é excluída dos centros de ensino, embora as diferenças entre eles sejam também importantes.
O analfabetismo oscila entre 10 e 20% no Brasil, China, Indonésia e México, enquanto em Bangladesh, Egito, Índia, Nigéria e Paquistão se aproximam ou superam os 40%. Devido a essas grandes diferenças, o Brasil proporá a dissolução do E-9. A partir de agora, será impossivel fixar metas conjuntas. Cada país deve definir suas prioridades, porque os problemas são muito diferentes. No Brasil, por exemplo, não há diferenças de sexo, como ocorre no Egito, na Índia e no Paquistão, conclui Maria Helena.


