Ma Jo é uma menina de 15 anos, jeito articulado de conversar. Mesmo sendo esperta e curiosa, provavelmente nunca conhecerá muito além daquele pedaço de terra em que vive, o vilarejo nas imediações de Mae Hong Son, uma remota província no norte da Tailândia. Gente de toda a parte do planeta, no entanto, estará sempre vindo até ela, na expectativa de ver de perto uma mulher-girafa.

Como em uma vitrine, ela posa para os turistas boquiabertos diante de seu pescoço longo, ornamentado com uma torre de colares dourados, marca registrada das mulheres da tribo Karen-Padong.

Originário de Mianmá (ex-Burma), o grupo Karen, que inclui ainda as Karen-Brancas e as Vermelhas, é o maior entre as cerca de 20 tribos que imigraram da China, Tibete, Vietnã e Laos para Chiang Mai, Chiang Rai, Mae Hong Son, Nan e Phrae, nos últimos 200 anos. A estimativa do Instituto de Pesquisa Tribal de Chiang Mai é de que a população das tribos seja de pelo menos 550 mil pessoas.

De olhos vivos, meio puxados, Ma Jo é pequena, delicada, de cabelos longos, negros e andar miúdo típico das mulheres de sua gente. É vaidosa, usa batom e uma maquiagem que deixa suas bochechas brancas. O rosto redondo e curto dá a impressão de ser prensado para dar espaço para as argolas, assim como os ombros ligeiramente caídos.

Esta deformação forçada do físico, que deixa os pescoços com até 20 centímetros, lhes garantirá ao longo da vida muitas dores nas costas. Não é difícil andar pela tribo e ver mulheres recebendo massagens de suas amigas.

A mãe de Ma Jo tem cerca de 23 colares e diz que nunca os tirou porque não sente necessidade de fazê-lo e gosta de saber que seu pescoço é um dos mais longos naquela tribo. A filha, por sua vez, garante que também não se incomoda em usá-los. Tampouco se aborrece com os olhares fixos dos estrangeiros em seus colares. ''Acabo conhecendo gente de todo o mundo.''

Ma Jo se vira em muitas línguas, inclusive o português. É com ''bom dia'' e ''obrigada'' que recebe os poucos turistas brasileiros que se aventuram no norte da Tailândia. Frequentou a escola por cinco anos e agora já pensa em casar com algum garoto de sua tribo, a única alternativa que lhe é dada.

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