Mulheres fazem passeata contra violência em SP
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Cláudio Barreto, especial para a AE 
São Paulo, 19 (AE) - Cerca de 70 mulheres de classe média alta, inconformadas com a falta de segurança na cidade, fizeram na tarde de hoje uma passeata pela Avenida Brigadeiro Faria Lima, zona sul da capital, em protesto contra o aumento da violência em São Paulo. Quase todas as pessoas que participaram da manisfestação já foram vítimas de assaltos.
A organizadora do ato público, a relações-públicas Virgínia Puglisi, afirmou que a maioria das manifestantes possui filhos na faixa dos 18 anos. "Eles estão começando a dirigir e estamos com medo da ausência dos policias nos semáforos", afirmou. Há um ano, ela foi assaltada no cruzamento da Avenida 9 de Julho com a Alameda Lorena, quando aguardava a abertura do sinal. "Eles me jogaram para fora do carro, roubaram meu relógio e ainda me espancaram", lembrou. Hoje, Virgínia anda cercada por dois seguranças particulares, que a acompanharam durante todo o trajeto.
As mulheres - várias vestidas de preto - portavam faixas com frases do tipo "Chega de Impunidade" e "Segurança Já". Elas partiram da frente do Shopping Center Iguatemi, por volta das 13 horas, ocupando duas faixas da Faria Lima, até o início do novo trecho da avenida. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tentou organizar o tráfego pelas outras duas pistas, mas não conseguiu evitar o congestionamento no local.
De acordo com Edna Scatamacchia, definida como a porta-voz do grupo, a manifestação ocorreu na Avenida Faria Lima porque a maioria das participantes mora na região. Para ela, a Avenida Paulista daria mais notoriedade à passeata, porém traria mais problemas para a cidade. Edna acredita que, no futuro, esse grupo deverá formar uma associação para acompanhar de perto o trabalho do governo nas questões relacionadas à segurança. "A idéia é mostrar às autoridades que estamos aqui e queremos ajudar a resolver os problemas", enfatizou. Entidade - A presidente do Movimento Reage São Paulo, Albertina Café, também presente à passeata, disse que esse tipo de atuação
partindo principalmente de mulheres de empresários, tem por objetivo a conscientização da sociedade. "Não podemos apenas reclamar em casa; temos de sair às ruas e exigir nossos direitos", afirmou. Segundo Albertina, o número baixo de participantes - eram esperadas cerca de 500 pessoas - reflete o medo que as mulheres têm de se manifestar.


