Se na eleição de ontem o número de candidatas foi pequeno, no comando dos tribunais eleitorais a participação das mulheres foi mais expressiva. Quase um terço dos 399 municípios do Paraná estava sob comando de uma magistrada paranaense, que foi designada como juíza eleitoral. Mas não é somente nessa função que elas estão ganhando espaço. Hoje, a mulher já sentencia em 75% das 155 comarcas do Estado. Essa presença marcante no Judiciário recebeu da Associação dos Magistrados Brasileiros o nome de feminilização da Justiça. Esse termo esquisito serve para marcar uma tendência futura de superioridade numérica da mulher dentro da magistratura. Atualmente, existe uma juíza para pouco mais de três juízes, totalizando 517 magistrados no Paraná.
A previsão da Associação dos Magistrados do Paraná é que, num prazo de dez anos, este número se reverta, fazendo com que a presença feminina seja majoritária no Estado. Da mesma forma, projeta-se esse crescimento nos ministérios públicos. Dois motivos, levantados pela AMB, sustentam essa sentença: o empenho das mulheres - muitas vezes mais acentuado que o masculino - e o maior número de acadêmicas nos cursos de Direito.
Na presidência da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP) esse processo é recebido positivamente. O próprio presidente da entidade, Ruy Fernando de Oliveira, lembra que há 35 anos a única juíza paranaense era Lilian Lopes Teixeira e, que depois do esforço dessa pioneira, outras vêm se empenhando da mesma forma, honrando o cargo que ocupam.
Mas o esforço que a pioneira Lilian Teixeira fez dentro da magistratura está longe de terminar. Hoje, nenhuma juíza alcançou no Estado o cargo de desembargadora. Quem mais se aproximou dessa função foi a própria Lilian Teixeira, que se aposentou antes mesmo de ser nomeada. No Estado, das 117 juízas, apenas 26 trabalham na capital, sendo que quatro dessas dsempenham função no Tribunal de Alçada. ‘‘Mas existem mulheres que começam a ser empossadas em alçadas superiores’’, comenta a juíza de Colombo, Mila Aparecida Alves da Luz.
A previsão é que a juíza Regina Helena Afonso Portes, que trabalha no Tribunal de Alçada, venha brevemente ocupar uma vaga de desembargadora no Tribunal de Justiça. O cargo mais alto que uma juíza já chegou no Brasil é ocupado pela desembargadora Ellen Gracie Northfleet, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre (RS).

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