Mulheres e negros são discriminados no trabalho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - Relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela o quanto a vida profissional pode ser determinada por questões de gênero ou raça. Independentemente da escolaridade, mulheres e negros têm perspectivas muito mais sombrias na vida profissional do que homens brancos. Seja nos níveis de emprego, seja na remuneração.
O suplemento nacional do relatório, ''A Hora para a Igualdade no Trabalho'', conclui que os grupos mais suscetíveis à discriminação no Brasil estão longe de ser minoria. Mulheres e negros representam 55 milhões de pessoas, o correspondente a 68% da População Economicamente Ativa (PEA) brasileira.
Os dados brasileiros, colhidos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, mostram que a mulher negra suscetível tanto à discriminação de raça quanto à de gênero é a mais prejudicada. Mulheres negras que têm entre 11 e 14 anos de escolaridade, por exemplo, recebem um salário equivalente a 39% do que é ganho por um homem branco com a mesma formação.
A responsável pelo relatório global da OIT, Manuela Tomei, explica que as disparidades encontradas no Brasil são piores do que de países como Argentina, Chile e México. Ela atribui o problema ao fato de há pouco tempo o Brasil ter admitido existir discriminação racial. As políticas criadas para reduzir as diferenças ainda não provocaram grande impacto.


