No Brasil, o sistema porta-a-porta pegou. Atualmente, o País ocupa o quinto lugar no mundo de venda nesta modalidade - conhecida também como venda direta. Os cosméticos são o carro-chefe desse setor, que, tudo indica, vai deslanchar nos próximos anos. ''Noventa e oito por cento da força dessas empresas estão no mercado informal. E desse mercado, 90% são mulheres'', afirma o diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Sérgio Mendonça.
Contrariando o cenário atual, que aponta a taxa de desemprego em 17,3% no mês de julho - segundo instituto, que faz pesquisas a pedido de entidades sindicais - o mercado informal apresenta crescimento nos mais diversos segmentos. De acordo com ele, os principais motivos que impulsionaram este quadro foram as recessões ocorridas na última década e a abertura de mercado às importações, ocasionando o fechamento de empresas e o aumento do desemprego.
''Nesses últimos dez anos, cinco foram de recessão e dois, em 1996 e 1997, de taxas baixas de crescimento.'' Dessa forma, houve aumento no número de autônomos, assalariados e profissionais de serviços domésticos sem carteira de trabalho assinada, ele afirma. Atualmente, eles correspondem, respectivamente, a 21,9%, 12% e 7,6% dos ocupados na região metropolitana de São Paulo, totalizando mais de 40% dessa categoria.
A maior parte dessas empresas não exige muito do ''candidato''. Não pedem nível de escolaridade nem experiência anterior. Apenas que o interessado tenha mais de 18 anos ou seja emancipado.
Na opinião de Mendonça, o aumento da informalidade demonstra que houve precarização no trabalho, porque os vínculos empregatícios tornaram-se mais fracos e há mais trabalhadores sem proteção social, como seguro-saúde, seguro-desemprego e previdência social. O sistema de venda direta é um dos segmentos do mercado informal que mais cresce. Tanto que, desde 1995, existe a Associação Nacional de Vendedores Porta a Porta (Anavapp), presidida por João Ribeiro. Ele acredita que o sucesso da economia informal é consequência de que a maioria - 95% da população - quer ter seu próprio negócio. (Agência Estado)

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