Se os joelhos devem ser sempre alvo de cuidados, nas mulheres estes devem ser redobrados. Por conta da anatomia feminina e dos hormônios, elas são mais suscetíveis a problemas nessa região.
Por ser muito exigido e sofrer desgaste com o tempo, problemas como dores, inchaço e artrose são comuns nos joelhos e costumam aparecer com a idade ou em quem faz exercícios de forma errada, especialmente nas mulheres. Segundo Arnaldo Hernandez, ortopedista do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, as mulheres têm características anatômicas que propiciam uma maior sobrecarga nas pernas e, em alguns casos, no joelho. ''O diâmetro do quadril e o joelho em ''x'' (para dentro), comum em mulheres, favorecem uma sobrecarga'', afirma Hernandez.
O ortopedista Marcus Vinicius Danieli, de Londrina, ressalta que a ação do estrógeno, hormônio feminino, é outro fator que age nos ligamentos, deixando-os ''mais frouxos'', o que também favorece uma sobrecarga nos joelhos. ''Além disso, a força muscular da mulher é menor que a do homem. Ao longo da evolução, o homem foi se desenvolvendo mais na parte esportiva, e a mulher, para a maternidade, o que explica as diferenças de anatomia'', diz, lembrando que são os músculos fortalecidos que protegem os ligamentos.
A ação dos hormônios femininos e a relação com problemas no joelho de mulheres esportistas, cita Danieli, é objeto de estudo nos Estados Unidos. ''Já é estatística comprovada que a lesão do ligamento cruzado anterior acontece de seis a oito vezes mais na mulher que pratica futebol do que no homem. Nos Estados Unidos, estudos buscam a relação dessas lesões com o ciclo menstrual da mulher, e também para desenvolver métodos de prevenção, como exercícios de salto e pouso'', explica. O período que a mulher fica mais sensível é o da ovulação, quando há maior ação dos hormônios.
A gravidez, ressalta Danieli, é outro período delicado na vida da mulher em relação ao joelho. Sob a ação dos hormônios, e com o crescimento do feto, as dores nas costas e nos joelhos são comuns não só pelo aumento de peso, mas porque os ligamentos também estão ''mais frouxos'' e a pelve se prepara para acomodar o bebê. ''Por isso é que não se deve engordar mais que o ideal, e a mulher deve praticar atividade física dentro do recomendado pelo obstetra'', afirma Danieli. O excesso de peso aumenta de três a cinco vezes a carga nas articulações.
Segundo Rene Abdalla, ortopedista do HCor especializado em cirurgia de joelho, não se deve iniciar uma atividade sem orientação. Além disso, ''é preciso um aquecimento antes do exercício, que melhora a circulação, e ao final, para relaxar'', afirma. ''É o alongamento que vai tirar a sobrecarga na articulação, e deve ser feito antes e depois da atividade física, de preferência com a mesma duração que teve o exercício'', afirma Danieli.
Abdalla afirma que as mulheres costumam trabalhar mais as pernas nas academias e acabam tendo mais problemas. Alguns dos exercícios podem ser verdadeiras ''armadilhas''. No ''leg press'', por exemplo, as pernas não devem ser flexionadas totalmente, mas até 80º. A flexão com peso também deve ser feita sem ultrapassar os limites do esportista. A posição correta na bicicleta também evita um desgaste desnecessário. Um dos sintomas de que o exercício está errado é o inchaço na parte frontal do joelho. (Com Folhapress)

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