Mulheres decapitadas têm corpos jogados em lixeira
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Agência Estado 
RIO - Três mulheres ainda não identificadas, de idades entre 25 e 30 anos, foram encontradas decapitadas na madrugada de ontem, no bairro de Del Castilho, zona norte do Rio. Os corpos estavam na lixeira de uma obra na avenida Automóvel Clube, próximo ao Shopping Nova América. As vítimas tiveram as pernas e os braços quebrados, apresentavam sinais de tortura e receberam diversos tiros. As cabeças foram deixadas ao lado dos corpos pelos assassinos. A polícia suspeita que a chacina esteja ligada ao tráfico de drogas na Favela do Guarda, no mesmo bairro.
Além de terem as cabeças decepadas, as vítimas tiveram as orelhas e os dedos arrancados, sofreram queimaduras em várias partes do corpo, principalmente no rosto e nas costas. De acordo com a polícia, elas foram degoladas provavelmente a golpes de facão. Até o final da tarde de ontem, nenhum parente das três mulheres havia comparecido ao Instituto Médico Legal (IML).
Os corpos foram encontrados pelos policiais militares do 3º Batalhão da Polícia Militar (Méier), que realizavam uma ronda na Favela do Guarda. A polícia acredita que as vítimas foram assassinadas na favela e os corpos abandonados no lixo das obras da Linha Amarela, no trecho que liga a zona Norte à zona Oeste. O local é conhecido como desova, e é usado pelos traficantes das favelas da região para deixar os corpos da vítimas. No local, havia marcas de pneus de carro cuja marca seria Kombi.
Duas das três mulheres eram morenas e de cabelos escuros. A outra tinha cabelos claros, descoloridos. Elas trajavam bermudas jeans, nas cores preta e vermelha, duas estavam de miniblusa preta, e a terceira usava uma camiseta listrada branco e verde. As vítimas não estavam calçadas e não portavam objetos de valor.
Segundo o delegado Altair Queiroz, da 23ª Delegacia Policial, que comanda as investigações, o crime é característico de vítimas que aplicaram o chamado banho - deixam de pagar a drogas que consomem. Os criminosos fazem justiça com as próprias mãos para servir de exemplo na favela, explicou Queiroz, que pretende identificar as vítimas através das impressões digitais.


