O Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Paraná, na Avenida Marechal Floriano, em Curitiba, foi fechado ontem, por volta das 19h30, por um grupo de cerca de 50 mulheres de policiais militares. Elas prometem ficar acampadas no local até que os 580 PMs punidos na última paralisação da categoria sejam anistiados das punições e que o governo dê respostas às reivindicações. Se não forem atendidas em três dias, as mulheres ameaçam estender o movimento fecha-quartel para todo o Estado. O prazo para uma resposta sobre as outras reivindicações termina amanhã em Londrina e no próximo dia 21 em Curitiba. A assessoria de imprensa do governo não quis se pronunciar ontem sobre o assunto.
De acordo com Ilcilene de Paula, uma das líderes do movimento, o acordo feito com o governo em maio, quando as mulheres fizeram um protesto de oito dias, era de que apenas os policiais envolvidos em atos de vandalismo seriam punidos. No entanto, segundo ela, todos os PMs identificados no movimento ficaram três dias presos e um dia no isolamento. Com isso, a ficha desses policiais fica manchada como má-conduta e eles correm o risco de demissão. Se enquadrariam neste caso pelo menos 200 policiais de Curitiba, 300 de Londrina e 80 de Paranaguá.
Antes da manifestação, o governo do Estado não confirmava a reunião prevista para hoje da comissão que estuda a revisão do Código de Valores e Vencimentos (CVV) dos policiais militares. Segundo a assessoria de imprensa, a reunião deveria acontecer nos próximos dias. Mesmo depois do início da manifestação, um dos motivos alegados para não se pronunciar foi de que o governador Jaime Lerner estava chegando de viagem e teria que se inteirar do assunto.
A alteração no Código de Vencimentos da Polícia Militar, que daria condições para equiparação de salários entre policiais militares que exercem a mesma função, foi recusada na semana passada pelo governo do Estado. A proposta previa parcelas de reajustes para a categoria que dariam em um ano um impacto de R$ 100 milhões na folha de pagamento. Segundo o secretário Alceni Guerra, a grande dificuldade é que o governo tem a limitação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
A PM reivindica também o pagamento de horas-extras, a garantia de que policiais não tenham que arcar com prejuízos nas viaturas nos casos de acidentes durante ocorrências e o estreitamento dos prazos para promoção dos militares. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança informou ontem que os policiais não estão mais pagando o conserto dos carros.

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