Mulheres com mais de 40 anos chamam atenção
Curitiba - A maioria das mulheres inscritas no Programa de Fertilização In Vitro (FIV) do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba e do Centro Paranaense de Fertilidade (46%) tem problemas tubários ou ovarianos. No entanto, o que mais chamou a atenção do médico responsável pelo programa, Karam Abou Saab, foi o número de mulheres com mais de 40 anos -cerca de 18% do total inscrito- que tem buscado tratamento para engravidar.
A preocupação do médico é que nessa faixa etária a técnica de fertilização in vitro vai perdendo sua eficácia. ''É importante alertar as mulheres para que não deixem para procurar o tratamento depois dos 40 anos, pois as chances de engravidar vão se reduzindo'', advertiu Saab. ''Elas demoram mais para engravidar, precisam de mais tentativas, o estoque de óvulos se esgota e muitas entram na menopausa'', acrescentou o médico ao explicar as dificuldades.
Saab lembra que 40% das mulheres que fazem a fertilização in vitro engravidam na primeira tentativa. Essa proporção cai para 10% ou 20% entre as mulheres com 40 anos ou mais. Segundo ele, entre as inscritas no programa, que já passaram dos 40 anos, muitas não tiveram oportunidade de fazer o tratamento. ''Mas, muitas delas acharam que poderiam engravidar quando quisessem'', complementou.
Mais de 1,2 mil casais se inscreveram no FIV. Por causa da grande demanda, as inscrições foram suspensas, já que o Centro Paranaense de Fertilidade só consegue disponibilizar 10 tratamentos por mês. De acordo com o médico, boa parte dos casais não tem indicação para fertilização in vitro. Podem contornar a dificuldade de engravidar com medicação ou cirurgia.
O único custo para o casal durante o tratamento no programa é o do medicamento para estimular a ovulação -entre R$ 100,00 e R$ 200,00. O Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece nenhum serviço de reprodução assistida. Para Saab, essa questão merece ser revista, uma vez que a demanda de casais que não podem pagar pelo tratamento é grande. O aprimoramento e simplificação na técnica de fertilização in vitro, segundo ele, tornaram o tratamento mais barato. Por isso, o médico acredita que o SUS poderia inclui-lo na lista de procedimentos oferecida aos segurados.(A.L.)





