Mulheres chefiam 41,14% das famílias mais carentes
Curitiba
Albari RosaQualidade de vidaCrianças brincam junto à poça de água suja no Jardim da Ordem, expondo-se ao risco de contrair doençasImagine uma mulher à beira do estresse, que ganha salário mínimo como empregada doméstica para sustentar quatro filhos, o marido desempregado e os pais dele. Analfabeta, ela mora em um barraco de uma área ocupada na periferia, onde não há água tratada nem esgoto e o ônibus demora a passar. Pronto: está aí a chefe de família mais comum no mapa da pobreza de Curitiba.
Segundo o estudo, com base no censo de 1991, há 350.604 domicílios em Curitiba. Do total, 45.160 (12,88%) são chefiados por pessoas com renda mensal de até um salário mínimo. As mulheres representam 41,14% desse grupo. Os homens, 6,81%. O nível de escolaridade de ambos os sexos é muito ruim na mesma faixa: 41,75% com apenas um ano de instrução e 32,97% de analfabetos.
O bairro São Miguel, na zona oeste, tem a maior concentração de chefes de família pobres: 59,32% dos moradores. No Caximba, zona sul da cidade, 43,39% dos responsáveis pelos lares só estudaram até a primeira série. Trata-se da área com o pior nível de escolaridade resgistrado na pesquisa. Em compensação, o Centro Cívico fica com os menores índices de pobreza (4,88%) e pouca instrução (0,58%).
A taxa de reprovação escolar mais alta (25,63%) está no bairro Guaíra, curiosamente localizado próximo ao Centro. O índice de abandono escolar é altíssimo no Caximba: 19,23%. Novamente o Centro Cívico concentra as melhores médias, com 100% de aprovação e nenhuma evasão, índices incomparáveis dentro do Mapa da Pobreza.
Cajuru, Campo de Santana, Pinheirinho, Sítio Cercado, Tatuquara e Umbará são os bairros cujos domicílios apresentam as piores condições de vida. No total, há 13 áreas - onde estão 29,27% da população - com alto nível de precariedade dos lares. As proporções mais elevadas de casas precárias, que não passam de barracos com cobertura de lona preta, aparecem no São Miguel (84,41%) e Ganchinho (69,18%), na zona sul.
Em matéria de saneamento básico, a comunidade do Ganchinho também é afetada. Apenas 13,92% dos domicílios do bairro estão ligados à rede de abastecimento de água e 0,53% são atendidos pela coleta de lixo. Cinco áreas (Caximba, Riviera, Lamenha Pequena, São João e São Miguel) apresentam lares sem qualquer instalação sanitária, o que torna comum o esgoto a céu aberto.
Os números assustam também quando o assunto é mortalidade infantil. No bairro Augusta, zona oeste, 78 crianças morrem antes de completar um ano para cada mil nascimentos. No Caximba, a média cai para 54. O Campo de Santana registra o terceiro pior quadro, com 39 mortes. Onde houve pesquisa, o menor índice fica para o Alto da Glória: quatro óbitos.
No transporte coletivo, novo azar da periferia. O ônibus leva 26 minutos, em média, para passar pelo bairros Caximba e São João. Achou ruim? Quem mora no Ganchinho suporta espera de até uma hora. O usuário mais privilegiado é o do Tingui, que espera menos de cinco minutos entre um ônibus e outro.





