Curitiba- Mais de 70% das mulheres, que passam pelos cursos de reciclagem do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), tiveram as carteiras de habilitação suspensas por assumirem as infrações cometidas por parentes homens: filhos, maridos, netos. A estatística se baseia no relato das motoristas aos instrutores. Apesar de caracterizar crime de falsidade ideológica, não há como comprovar a fraude, já que elas se apresentam como condutoras e o que vale é o que está documentado no papel.
O coordenador do curso de reciclagem do Detran-PR, Carlos Zanchi, afirma que cerca de 26% dos quase 2 mil motoristas que frequentam, mensalmente, os cursos em todo Estado são mulheres. Os homens, segundo ele, também são maioria no total de infratores: 84%.
As justificativas das motoristas para driblar o órgão de trânsito, relata Zanchi, são muito parecidas: o marido ou filho precisam mais da carteira de habilitação porque usam o carro com maior frequência.
Zanchi explica que os órgãos de trânsito têm, obrigatoriamente, que abrir a possibilidade de apresentação do condutor, pois o dono do veículo pode não ser, de fato, o autor da infração. Está previsto no Código de Trânsito. Portanto, a única maneira de tentar reduzir as fraudes é por meio de campanhas educativas, ação que já é feita nos próprios cursos de reciclagem.
Segundo levantamento do Detran-PR, no Paraná, desde janeiro de 1999, quando começaram a ser suspensas as primeiras carteiras, 108.748 motoristas ficaram sem suas habilitações. Destes, 52.655 entregaram a carteira ao Detran e 56.093 estão dirigindo com a carteira suspensa.

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