São Paulo - As mulheres estão trabalhando mais e dormindo menos. E os médicos alertam: além de cansadas, elas poderão ficar hipertensas. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), a participação do sexo feminino no mercado de trabalho passou de 43,1% em 2004 para 43,7% em 2006. Os avanços foram observados principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Realizada entre setembro de 2005 e setembro de 2006, a pesquisa concluiu que o trabalho fora de casa não reduziu a jornada doméstica das mulheres, como se poderia supor. Elas têm menos filhos (dois, em média, por mulher), mas continuam desempenhando a maior parte das tarefas do lar.

''As mulheres se tornaram um grupo de risco especial porque passaram a ocupar no trabalho posições semelhantes às dos homens, além de acumularem as responsabilidades em casa'', alerta o cardiologista Antônio Carlos Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Para dar conta da dupla jornada de atividades, elas dormem pouco. Essa combinação, segundo uma pesquisa feita na Universidade de Warwick, na Inglaterra, pode ser fatal. O levantamento apurou que as mulheres sofrem mais do que os homens com a falta de sono provocada pelas horas extras de trabalho. Aquelas que dormem cinco horas ou menos por noite correm mais riscos de se tornarem hipertensas e de desenvolverem problemas coronarianos quando comparadas aos homens que repousam pelo mesmo tempo. As mulheres analisadas - de um total de 6.592 participantes - tinham duas vezes mais chances de sofrer de hipertensão do que aquelas que dormiam sete horas ou mais por noite.

Um dos condutores da pesquisa de Warwick, professor Francesco Cappuccio, vê nos resultados uma relação entre a falta de sono e doenças como obesidade e diabetes. E, para ele, a solução é bem simples: dormir.

Nos últimos anos, várias pesquisas mostraram que a falta de sono está associada a um aumento de risco de hipertensão. Um estudo conduzido em Harvard e publicado no início deste ano foi o primeiro a medir esse risco separadamente para homens e mulheres.

Os estudiosos concluíram que falta de sono é prejudicial para os dois sexos, mas a mulher teria 30% a mais de chances de ser acometida por doenças coronárias quando dorme menos de cinco horas por dia. ''A privação de sono crônica é um fator de risco para a hipertensão em ambos os sexos'', confirma a neurologista Dalva Poyares, do Instituto do Sono da Unifesp.

Se for impossível encontrar tempo para dormir o tempo recomendado pelos especialistas, Dalva recomenda tirar um cochilo a qualquer hora do dia. O importante é que a soma total se aproxime das tão sonhadas sete horas de sono.

MITOS E VERDADES

- Aparelhos que medem a pressão pelo pulso funcionam muito bem?Mito. Segundo o cardiologista Fernando Nobre, da USP, os resultados podem ser maiores do que a pressão real.
- Hipertensão pode ser curada? Depende.
Só é possível, segundo Nobre, em 3% dos casos. Na maioria deles, é preciso tomar medicamentos para o resto da vida.
- Hipertensão não tem sintomas?Verdade. Geralmente ela não dá sinais. Algumas pessoas sentem tontura, dor de cabeça e têm sangramentos nasais. A maior parte, porém, não chega a detectar que está com a pressão alta até fazer um teste.

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