Porto Alegre, 22 (AE) - Uma mulher foi presa em flagrante quando vendia cocaína escondida nas fraldas de um bebê
no centro da capital. O estratagema foi descoberto na noite de terça-feira, depois que um policial, informado de que a mulher estaria traficando, fingiu ser usuário e perguntou-lhe se tinha "o pó". Marilde Fátima Manfron, de 33 anos, revirou as roupas da criança, que conduzia em um carrinho, e retirou de lá a dose solicitada. "Depois, os policiais remexeram as roupas do bebê e encontraram mais 15 "petecas", nome que dão a cada porção, equivalente a uma cheirada, vendida a R$ 5,00 cada", relatou o delegado Lauro Santos, diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).
Marilde usava o expediente há cerca de oito meses, em vários pontos da cidade. Ao ser presa, ela estava na rua da Praia, na porta de um bar. Foi ouvida, indiciada e levada ao presídio feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre. Outra mulher
Maria Ercília de Rodrigues, apresentou-se aos policiais como madrinha da criança. Prestou depoimento e foi liberada.
O menino, identificado como Mike Dias, de nove meses, foi entregue ao Conselho Tutelar da região central. Marilde explicou que Mike não era seu filho, mas tomado emprestado de uma prostituta. Na mesma noite do flagrante, Luciana Pereira Alves afirmou ao Conselho Tutelar ser a mãe verdadeira do menino
cujo nome completo seria Mike Pereira Duarte.
Disse que deixava Mike com a madrinha, Maria Ercília, durante a semana, para poder trabalhar. Mas não exibiu nenhum documento que comprovasse sua condição. Ela iria novamente ao Conselho Tutelar para tentar confirmar a maternidade.
A conselheira tutelar Sônia Medeiros informou hoje que Mike, levado para uma casa de acolhida, permanecerá sob os cuidados do Conselho Tutelar. "Há indícios claros de negligência, com a criança sendo até utilizada para tráfico de drogas", justificou.

mockup