Há dois dias, a dona de casa M.F.S., 39 anos, ganhou mais uma arma na luta contra com o vírus HIV. Ela é a primeira londrinense, e provavelmente a primeira paranaense, a conseguir, através do Sistema Único de Saúde (SUS), a liberação pelo Ministério da Saúde do medicamento Fuzeon (Enfuvirtida), um dos mais novos existentes no mercado para tratamento da Aids. O remédio é o único anti-retroviral que é administrado por via injetável e não oral. Lançado nos Estados Unidos e Europa em 2003, foi registrado no Brasil há menos de um ano e possui um custo aproximado de R$ 4 mil por mês.
M. é atendida pela equipe do Serviço de Assistência Domiciliar Terapêutica (ADT) do município e está sendo treinada para aplicar, sozinha, as duas injeções subcutâneas diárias. Portadora do vírus desde 1990 e convivendo com a Aids desde 1995, ela vai continuar tomando outros remédios via oral que integram o chamado coquetel. Mas o Fuzeon terá papel fundamental para o seu tratamento. ''Ele é uma das últimas alternativas para casos em que os outros medicamentos já não surtem mais o efeito desejado. É o que a gente chama de falhas de esquema anti-retroviral anterior'', explica a médica infectologista da ADT, Susana Lilian Wiechmann.
Segundo a médica, que também atua no setor de Moléstias Infecciosas do Hospital Universitário (HU), o remédio age de maneira diferente dos demais. Enquanto a maioria combate o vírus dentro das células, o Fuzeon impede que o HIV entre nas células. ''Estávamos tentando a liberação do medicamento pelo Ministério da Saúde desde o ano passado, mas por causa do custo, os critérios são muito rígidos. O governo só libera para pacientes em fase avançada da doença.''
Susana explica que a primeira avaliação do tratamento só poderá ser feita após três meses de uso do remédio. A médica estima que no Brasil cerca de 120 portadores do vírus estejam utilizando o Fuzeon, a maioria graças a ações na justiça. Além do novo medicamento, outros 15, em forma de comprimidos, são administrados no País.
M. conta que nos últimos 10 anos já tomou todos. ''Mas minha imunidade vinha baixando muito.'' Confiante, ela diz que foi uma grande felicidade quando soube que o tratamento tinha sido liberado. ''Eu já tinha ouvido falar na TV, sei que é bom, e também muito caro.'' A dona de casa está sendo acompanhada diariamente pela equipe da ADT, mas à noite já aplica sozinha a injeção. ''Até agora não deu nenhum tipo de reação'', comemora.

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