Londrina - No final da tarde de ontem, o longo tempo de espera no Pronto-Atendimento Municipal (PAM) revoltou quem aguardava na fila e mais uma vez terminou em manifestação. A estudante Raquel Ferreira Basseto, que estava esperando havia mais de seis horas, tirou a blusa como forma de protesto.
''Percebi que estavam passando pessoas na minha frente. Pedi explicação várias vezes, mas só me enrolaram. A única forma que encontrei de chamar a atenção foi tirar a blusa. Olha a situação que chegamos. O que mais falta acontecer?'', questionou Raquel, que é diabética e procurou atendimento devido a uma hemorragia gástrica.
Uma guarda municipal pediu para ela se acalmar e disse que tirar a blusa consistia em atentado ao pudor. ''Eles mandam segurança, mas não mandam médico'', falou a estudante.
Por volta das 19h30, Raquel recebeu atendimento e foi aplaudida pelas pessoas que estavam esperando e acompanharam sua situação. ''É triste precisar tirar a blusa para ter atenção, mas infelizmente foi necessário. Estamos do lado dela (Raquel)'', comentou Evelise Cristine Gomes, que havia mais de seis horas aguardava atendimento para o marido que estava com febre e tem um abscesso na perna.
A auxiliar-administrativa Jéssica Moraes chegou no PAM às 9h30 e, após oito horas de espera, não havia sido atendida. ''Estou grávida de seis meses e estou sentido muita dor na barriga. Ontem (anteontem) já estive aqui, me deram soro e me liberaram. Hoje (ontem) disseram que vão me encaminhar para o Hospital Universitário (HU), mas até agora nada'', lamentou.
O diretor-executivo da Secretaria de Saúde, Márcio Nishida, disse que os pacientes são avaliados por risco e atendidos por uma ''questão de prioridade.'' Ele informou que durante a tarde havia dois médicos atendendo no PAM e que a partir das 19 horas o número subiria para quatro. ''O ideal seria quatro médicos por plantão, mas a Classmed (empresa contratada pelo município para cobrie a escala) não providenciou mais médicos'', argumentou.
De acordo com o diretor-administrativo da Classmed, Omar Salmen, a partir de hoje os plantões serão regularizados. ''Não conseguimos médico da noite para o dia. Precisamos de um tempo para fechar a agenda. Mas, amanhã (hoje) termina o prazo de cinco dias que tínhamos desde a assinatura do contrato'', justificou.

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