Mulher tem sono 24 horas por dia
Curitiba- Algumas pessoas com sonolência excessiva podem ter também distúrbio do sono. A narcolepsia é uma doença que causa sono no paciente 24 horas por dia. A pessoa dorme até mesmo quando está trabalhando e é normalmente taxada como preguiçosa e estressada. É o caso da bordadeira M.J., de 38 anos. Há 20 anos, ela percebeu que tinha dificuldade de estudar e de trabalhar. ''Eu dormia em qualquer atividade que fosse monótona'', contou a bordadeira, que prefere não se identificar para evitar represálias trabalhistas.
M.J. conta que sempre tem a impressão que os cochilos são intermináveis. Em cada cochilo, um sonho. Ela dorme tão profundamente que tem a sensação de ter dormido por mais de duas horas. ''Eu tinha muita dificuldade de ler. Não fui para frente na escola porque eu dormia nas aulas e era motivo de sarro entre professores e alunos'', relatou. Natural de Umuarama, a bordadeira vive hoje em Curitiba e trabalha para ajudar o pai e o irmão a manter a família. ''Eu sempre era chamada de preguiçosa. Minha irmã me dizia que o meu sono era um mecanismo que meu cérebro havia criado para que eu não precisasse trabalhar'', contou ela, bem humorada.
A bordadeira não conseguia trabalhar fora. Era excelente no que fazia. Mas dormia sentada. ''Fiquei nove meses numa firma, mas fui mandada embora porque eu fazia bem feito, mas não rendia'', relatou. O distúrbio vem acompanhado por quedas involuntárias. ''Eu caio como um bêbedo. Amolece minhas pernas''. Até hoje, todas as vezes que vê barata, M.J. cai. ''Tenho pavor e não consigo me conter. Antes de saber que tinha a doença, todos diziam que era frescura minha'', afirmou.
Quando saía de ônibus, outra tragédia. Ela normalmente dormia dentro do ônibus e quando acordava estava no final da linha. No ano passado, a irmã de M.J., que é advogada, descobriu na Internet que o distúrbio da bordadeira poderia ser doença do sono. Elas conseguiram guardar dinheiro e fizeram o exame, que custa cerca de R$ 1 mil. Desde o mês passado, M.J. está sendo medicada. Os sustos continuam, mas o sono acabou. ''Acho que a melhora é visível. Estou conseguindo trabalhar agora normalmente. Ainda caio de vez em quando, principalmente quando não tomo o remédio'', brincou a bordadeira.(L.P.)





