Mulher quer saber quem vai cobrir prejuízos
O proprietário da Água da Prata, Wilson Ferreira, de Ponta Grossa, estava ontem na região de Querência do Norte, mas a Folha conseguiu apenas falar com a mulher dele, Cecília, na casa da família. Quero saber quem vai pagar os prejuízos que tive na propriedade. Se é o governo, o MST ou o Incra, disse indignada. São três anos que a única propriedade da família está nas mãos do MST.
Cecília afirma que sumiram 300 cabeças de gado e mais de 100 quilômetros de cerca. Agora eles colocaram fogo na sede e em um trator locado para fazer trabalhos na fazenda, disse. Ela garante que o trator não estava destruindo lavouras, como disseram os sem-terra.
Ela alega que os homens que estavam na fazenda são funcionários que fugiram durante a desocupação. A polícia prendeu cinco homens suspeitos de serem seguranças da fazenda. Com eles foram apreendidas três espingardas calibre 12 e dois revólveres. Os três continuam presos na delegacia de Paranavaí.
Pelo menos 600 policiais militares de todo Paraná participaram ontem da desocupação das fazendas Água da Prata, em Querência do Norte e Figueira, em Guairaçá, no Noroeste do Estado. As áreas já foram ocupadas pelo menos duas vezes depois de cumprida a reintegração. Na Água da Prata foram retiradas 35 pessoas. Na Figueira, mais de 440 sem-terra. Não houve nenhum tipo de incidente nas duas operações, garantiu o delegado-chefe da Polícia Civil em Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto.
Segundo coordenadores do MST na região, a PM vai fazer mais quatro desocupações em Querência do Norte. (M.Z.)





