Mulher presa em caixote é alerta contra tráfico humano
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Folhapress 
Rio de Janeiro- Cubos em tamanho quase natural com a imagem fotográfica de uma mulher aprisionada em um caixote de madeira, semelhante aos de feira, passarão a circular nas esteiras de bagagem de 11 aeroportos do país, para chocar e alertar sobre o tráfico de seres humanos.
A iniciativa é da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), do Ministério da Justiça, que lançou ontem campanha de combate ao tráfico de pessoas, na Rodoviária Novo Rio.
A maior parte dos casos tem como vítimas mulheres levadas ao exterior, sob falsas promessas, que acabam exploradas na prostituição.
É apelando a imagens fortes, como a do caixote e à ilustração de uma mulher desamparada no fundo de um calabouço -em cartazes publicitários- que a secretaria pretende fazer a população a visualizar de forma clara o problema. ''Tráfico de pessoas. Ajude o Brasil a não cair nessa armadilha'', são os dizeres. O anúncio pede ao público que ''faça a sua parte'' e ''denuncie'' (ligando para 180).
''Queremos criar essa sensibilização na população. As pessoas visualizam tráfico de drogas, mas muitos não conseguem visualizar tráfico de pessoas. A campanha tem o objetivo de mostrar que é usar as pessoas como mercadorias, encaixotá-las, para exportar ou importar. Queremos quebrar o paradigma do silêncio. É um crime silencioso, e precisamos conscientizar as vítimas, a sociedade e as próprias autoridades para isso'', afirmou o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. ''Geralmente o aliciador é alguém próximo, que vende aquela esperança de uma vida melhor''.
Além dos casos mais comuns -cerca de 80%, contando travestis, segundo a secretaria-, de tráfico de mulheres, o ministério também foca no plano a ''importação'' de mão de obra estrangeira para trabalho escravo e tráfico de órgãos e pessoas para extração de órgãos, em incidência bem menor.
A baiana Maria, 29, foi vítima de uma dessas redes, aos 18 anos, quando foi para a Espanha e se viu prostituída. ''Me prometeram que ficaria rica e ao chegar lá me ameaçaram de morte. Depois de um mês, joguei minha mala pela janela e fugi'', conta ela, que foi levada pelo ministério.


