Outra doença que pode acometer a mulher durante a gravidez, mas pouco divulgada, é a miopia. Por isso, as cirurgias para correção do problema visual não são recomendadas durante a gestação.
  O oftamologista Leonardo Aquino, de Londrina, explica que o que determina a miopia é o comprimento do olho e o raio de curvatura da córnea, que fazem com que a imagem se forme antes da retina. Como não é possível intervir no comprimento do olho, a cirurgia para correção da miopia corrige a curvatura da córnea, deixando-a mais plana.
  Aquino explica que durante a gravidez, por causa da ação dos hormônios e da conseqüente retenção de líquidos no organismo, a curvatura da córnea pode ser alterada, causando a miopia. ‘‘É uma miopia transitória, de até um grau, que em dois a três meses tende a normalizar’’, ressalta.
  No período da gravidez não é recomendável realizar a cirurgia, sob pena de se corrigir ‘‘a mais’’ o problema, e deixar a paciente com hipermetropia. Além disso, aponta Aquino, na gravidez o olho fica mais sensível, com uma alteração no filme lacrimal, problema que pode também atrapalhar a mulher a usar lentes de contato.
  Quando se fazia a cirurgia para correção de miopia com o bisturi de diamante, há alguns anos, havia mais chances da mulher recuperar alguns graus de miopia depois da gravidez. Hoje, com a cirurgia feita a laser, as chances são mínimas, segundo o oftalmologista João Ângelo Paccola, de Londrina. ‘‘Não há estatísticas, mas é raro’’, afirma, ressaltando que se acontecer há a possibilidade de ‘‘retoque’’.
  A cirurgia de correção, segundo os especialistas, é indicada para adultos com até sete ou oito graus de miopia, que estejam com a doença estabilizada há pelo menos um ano. Para fazer a cirurgia, a córnea tem que ter espessura e curvatura compatíveis com o procedimento, o que é determinado através de exames. Hoje também é possível operar pequenos astigmatismos e alguns casos de hipermetropia. A cirurgia para corrigir presbiopia, ressalta Paccola, ainda é experimental. (C.P.)

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