Salários mais baixos, mais dificuldade para encontrar emprego, menor expectativa de vida: estas são algumas consequências da discriminação que atinge as mulheres negras brasileiras que representam 23% da população.
Segundo estudo do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), divulgado ontem, ser mulher e, além disso, negra no Brasil é a fórmula que garante um lugar na pobreza absoluta.
O informe foi elaborado para a 3ª Conferência Mundial sobre o Racismo, a Discriminação Racial e as Formas Conexas de Intolerância, organizada pelas Nações Unidas e que será realizada na África do Sul de 31 de agosto a 7 de setembro. Destaca que, segundo o Índice de Desenvolvimento por Gênero, a mulher afro-descendente ocupa a 91ª posição, enquanto a branca se situa na 48ª.
O índice, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), situa o Brasil na 67ª posição da lista geral. ‘‘Em meio da imensa pobreza brasileira, as famílias chefiadas por mulheres negras são as mais pobres’’, assegura o informe, que adverte que elas podem receber um salário até 55% menor que o das brancas para realizar o mesmo trabalho enquanto sua expectativa de vida é seis anos menor.

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