Mulher empurrada nos trilhos do metrô recebe alta
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Agência Estado 
São Paulo - Como outras tantas pessoas a sua volta, Jussara Araújo de Souza, de 23 anos, mexia no celular ao aguardar a chegada do metrô. Enquanto conversava pelo WhatsApp com a cunhada e o marido, sentiu um forte empurrão vindo de trás. "Quando vi, estava debaixo", diz a jovem, que foi jogada para o fosso da estação Conceição do Metrô na tarde de terça-feira, 9, pelo faxineiro Sebastião José da Silva, de 55 anos.
Jussara caiu de bruços em direção aos trilhos, no qual conseguiu inclinar o rosto e vê-lo passar durante alguns segundos. "Morri", pensou. "Nem sabia se era um homem ou uma mulher (o autor do crime), fiquei sabendo só depois, em casa, quando vi na televisão", comenta.
Devido às escoriações, Jussara levou 30 pontos na perna esquerda e teve alta apenas às 22 horas, quase 8 horas após ter sido empurrada. "Estou cheia de hematomas, na testa, nos braços, nas pernas", lembra ela, que tem três filhos, de 11 meses, de 4 e 6 anos.
Pouco mais de 24 horas após o incidente, a atendente passou pela mesma plataforma do Metrô ainda nesta quarta-feira (10). "Ainda estou criando coragem", disse, momentos antes do embarque. No momento do empurrão, Jussara se encaminhava para o trabalho, próximo à estação Marechal Deodoro do Metrô.
Há seis meses ela começou a realizar o percurso, de quase 20 quilômetros: partindo de ônibus de Americanópolis, na zona sul de São Paulo, até a estação Conceição da Linha 1-Azul do Metrô, da qual segue até o centro da cidade. O caminho é o mesmo que repetirá nos próximos dias, junto do marido. "Vai ter de ser o mesmo caminho. Não tem outro jeito de ir", lamenta ela.
Sobre o incidente, ela diz ter visto e sentido passarem quatro vagões sobre o seu corpo antes do metrô parar. Depois disso, quatro bombeiros desceram e a colocaram na margem do fosso, enquanto para que os demais vagões passassem. "Sentia muita dor na perna (esquerda) e no braço (direito)", lembra ela, que foi colocada em uma maca e encaminhada para o Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, de Jabaquara, na região sul da cidade.
Segundo o boletim de ocorrência, o agressor Sebastião José da Silva alegou ter empurrado a vítima após ter ouvido "vozes". Ele foi imobilizado por passageiros próximo à plataforma e, em seguida, foi preso.


