Mulher é queimada pelo marido em Belo Horizonte
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 29 (AE) - A dona de casa Maria Joana de Souza Ferreira, de 37 anos, deu entrada na madrugada de hoje, no Hospital João XXIII, centro de Belo Horizonte, com 65% do corpo queimado. Parentes contaram que os ferimentos foram provocados pelo marido dela, José Antônio Silva Neto, de 40 anos. Durante uma briga entre os dois na casa onde moram, em Ibirité, região metropolitana da capital, Silva Neto espancou a mulher, jogou álcool sobre ela e ateou fogo. Segundo os médicos, Maria Joana teve queimaduras de terceiro grau e corria, até o final da tarde de hoje, grande risco de vida. O marido continuava foragido.
O crime foi o terceiro deste tipo em Minas e o segundo em Belo Horizonte, em pouco mais de uma semana. Na periferia de Montes Claros, Norte do Estado, o trabalhador braçal Welson Braz dos Santos, de 18 anos, teve o corpo queimado por menores infratores, durante um assalto. Segundo a irmã dele, Simone Santos, os menores jogaram thiner (solvente também utilizado como entorpecente) sobre Welson e atearam fogo. "Tudo porque ele não tinha dinheiro", disse Simone. O caso aconteceu no final da semana passada.
A vítima teve queimaduras nas pernas, braços e barriga, mas já recebeu alta do hospital. Os agressores não foram identificados. A ocorrência mais grave, porém, aconteceu na noite de domingo, no estacionamento do Estádio Mineirão, Zona Norte de Belo Horizonte. O menor e morador de rua Jeferson Leocádio, de 15 anos, foi atacado enquanto dormia, próximo a um dos portões do estádio.
Jeferson foi levado para o Pronto-Socorro do João XXIII com 85% do corpo atingido e morreu menos de 24 horas depois de internado. Hoje a Polícia Civil apresentou a autora confessa do crime: a também moradora de rua Rosângela Pires da Silva. Ela disse que queimou Jeferson porque os dois teriam discutido, enquanto fazia comida em um fogão a lenha improvisado no estacionamento.
"Ele disse que ia comer antes dos outros meninos, eu respondi que não e recebi um tapa no um rosto e um soco na barriga", disse. "Tomei um litro e meio de cachaça, esperei ele dormir e me vinguei", acrescentou Rosângela, que, ao atear fogo no garoto, também teve a perna queimada. Para a Polícia Civil, ela mentiu. A suspeita é de que o crime esteja relacionado a um acerto de contas, já que tanto a vítima quanto a agressora consumiam drogas.


