Curitiba- Depois de 24 horas presa, porque a pensão alimentícia da neta, de 11 anos, não tinha sido paga desde abril de 2005, a comerciante Ângela Maria Pereira, de 49 anos, ganhou a liberdade. Ela foi solta mediante pagamento da dívida de cerca de R$ 3 mil.
A mulher estava detida, desde a tarde da segunda-feira, no Centro de Triagem, em Curitiba, cumprindo um mandado de prisão cível expedido pela 4 Vara da Família, por ser responsável pela pensão da neta, junto com o seu o filho e pai da menor, Demersson, de 28.
Três filhos da vendedora e o marido fizeram empréstimos para pagar a dívida e tirar a mãe da cadeia. O pai da menina, que sumiu, não colaborou para quitar o que devia da pensão alimentar. ''Acho um absurdo que a Justiça tenha chegado a esta conclusão de colocar minha mãe na cadeia e fazer ela passar por uma situação dessa'', desabafou a vendedora Daiana Angélica de Quadros, de 31, que pediu dinheiro emprestado à patroa.
Com o alvará de soltura em mãos, obtido junto a 4 Vara da Família, Daiana e outros dois irmãos chegaram ao Centro de Triagem para tirar a mãe da prisão. ''O nosso desespero era que ela passasse mais um dia aqui'' disse a filha emocionada ao ver a mãe sendo solta.
Ângela abraçou os filhos e todos choraram por alguns momentos. ''Não sei se vale a pena ser uma pessoa honesta a vida toda, para, na minha idade, passar por isso, ser algemada, revistada e presa como um bandido'', lamentou a comerciante.
De acordo com Ângela, o pai da menina só soube que ela teria sido presa, ontem. ''Eu não tenho raiva do meu filho. Só acho que a filha é dele e ele deve ser responsabilizado'', expõe a mãe. ''Mas acho que ele ter aparecido para a Justiça não iria ajudar muito, porque também acabaria sendo preso'', raciocinou ela, acrescentando que o problema agora seria pagar o dinheiro dos empréstimos. A comerciante também lamentou o fato de ter sido presa enquanto trabalhava na sua loja de roupas, em Colombo, diante da filha, de 14, e de uma neta, de 10.
''Tenho cinco filhos e seis netos. Sempre ajudei todos e essa neta, que me cobram pensão, desde que nasceu eu vesti e calcei. Só de dois anos para cá é que deixei de pagar a pensão, porque tinha combinado com meu filho que ele pagaria tudo sozinho. Era justo'', contou Ângela, dizendo que ela teria se responsabilizado junto com o filho pela pensão no valor de R$ 200,00. ''Eu confiava que ele estava pagando. Fui pega de surpresa com a determinação da Justiça'', disse.
São raros os casos de avós que acabam presos por conta do não pagamento de pensão alimentícia, afirma Mário Luiz Ramidoff, promotor de justiça da Vara da Família, em Curitiba. Ele explica que nesses casos, os avós são como fiadores ou avalistas. O promotor ainda lembra que os interesses das crianças e adolescentes são fundamentais e na falta dos pais a Justiça vai responsabilizar os avós. (colaborou Adriana De Cunto)

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