Mulher é novo alvo de combate à Aids
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terça-feira, 23 de dezembro de 1997
Sônia Cristina Silva Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaConsciênciaAlém das iniciativas localizadas, o governo planeja seis grandes campanhas nacionais de esclarecimento para o novo ano As mulheres, em especial as de baixa renda, serão um dos principais alvos dos programas de combate à Aids no próximo ano. Elas deverão ter acesso a preservativos femininos. Os sem-terra também foram incluídos na lista de prioridades, porque só uma pequena parcela dessa população usa preservativo de forma sistemática. Ainda parcial, a ação nesses grupos em 1998 será intensificada.
A disseminação do uso de preservativo para presidiários e indígenas será também prioridade no próximo ano. Vamos atacar a epidemia levando em conta suas principais tendências: pauperização, feminização, juvenilização e interiorização, explicou ontem o diretor do Programa de Aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, ao divulgar um balanço do setor.
As mulheres ainda não mereceram do governo a atenção necessária. Em 1980, para cada 19 casos masculinos havia um feminino. As estatísticas atuais revelam relação substancialmente menor: um caso feminino para três masculinos. Apesar da tendência de crescimento ter sido clara, não havia até agora projeto específico, admitiu Chequer.
Segundo ele, a mulher será incluída entre os temas das seis campanhas de esclarecimento inicialmente prometidas para este ano, mas transferidas para 1998 por problemas de contratação de agências de propaganda.
O uso da camisinha feminina, porém, depende do resultado de um teste de aceitabilidade que ainda está em andamento em cinco capitais, incluindo São Paulo. O ministério vem se adiantando e já faz acordos internacionais prevendo a possibilidade de compra do produto. Ela dá maior autonomia à mulher na hora da relação, reconheceu Chequer.
Este ano, foram também credenciadas 127 maternidades no País, onde a grávida portadora do vírus pode reduzir em até dois terços a chance de transmitir a doença para o filho usando o tratamento com AZT injetável.
PreservativosOs casos de Aids femininos no Brasil acontecem na faixa de 25 a 34 anos. Como o período de incubação da doença é, em média, de 10 anos, as adolescentes é que vêm contraindo a doença. Para as meninas que iniciam a fase sexualmente ativa, o ministério prevê ampliação de projetos em conjunto com a área de educação. Há previsão, inclusive, de desenhos animados complementarem os gibis na tarefa de educar crianças e adolescentes das escolas públicas sobre saúde.
Este ano, o ministério financiou cinco projetos de prevenção contra a Aids em quatro assentamentos e acampamentos de sem-terra no Paraná, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Pará, atendendo a cerca de 24 mil pessoas. Trabalhamos com eles por serem um grupo disciplinado, disse Chequer. Em áreas indígenas, foram aplicados R$ 1,2 milhão em 77 áreas e atingidas 160 mil pessoas. O dinheiro foi usado para trabalhos educativos usando material didático adaptado à língua. Em 1997 foram adquiridos 250 milhões de preservativos, mas a meta é chegar a 300 milhões em 1998.


