Mulher é despejada e tenta suicídio
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terça-feira, 12 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A ameaça de despejo levou a dona de casa Telma Regina de Almeida, de 32 anos, marido desempregado, quatro filhos e grávida do quinto, a ameaçar jogar-se ontem pela manhã do heliponto do Edifício Andrauss, prédio em que funciona a Secretaria Municipal de Finanças, no centro de São Paulo. Às 8h45, ela identificou-se na portaria como uma contribuinte que ia pagar imposto atrasado e tomou elevador até o 20º andar, onde fica o setor de fiscalização e taxas. Nem passou por lá. Com uma carta protesto nas mãos, Telma foi até o 25º andar (último a ser alcançado pelo elevador) e subiu mais três andares de escada até atingir o heliponto.
Quando foi vista pelo faxineiro Cícero Silva, que acabara de trocar uma lâmpada no corredor, foi ver se não havia ninguém no local, com é rotina, Telma já estava sentada na mureta do edifício, com a maior parte do corpo do lado de fora. Tudo a 140 metros de altura.
Desesperada, Telma reclamou da vida, disse que estava grávida de 6 meses e que não ia ter mais onde morar. Ao zelador Nelson Vieira da Costa, que trabalha no Andrauss há um ano, Telma disse que enfrentava uma ação de despejo e que queria conversar com o prefeito Celso Pitta.
Vinte bombeiros foram para o local, mas Telma não queria saber de conversa e de homem de farda. Só falaria com a imprensa. Por volta das 9 horas, foram então chamados o cabo Gilson Alves dos Santos e o soldado Rogério do Nascimento, que além de bombeiros são cinegrafistas da Subseção de Imagem e Som da corporação e têm como rotina fazer a gravação das ocorrências.
Avisados de que ela não queria ver ninguém fardado, os dois trataram de pegar emprestadas roupas de funcionários da administração do edifício e subiram para 28º andar. A paisana passaram-se por repórteres - Santos de cinegrafista e Nascimento de auxiliar. Com este disfarce conseguiram chegar perto de Telma para entrevistá-la, mas ela continuava irredutível. Um deles fingiu que o celular estava tocando e que o apresentador Ratinho estava querendo uma entrevista com ela ao vivo. Telma pedia que jogassem o celular, mas eles argumentavam que isso quebraria o aparelho. Foi quando Nascimento conquistou sua confiança e puxou a dona de casa por trás.
Graças a Deus conseguimos êxito, tanto para salvar a vítima como para a guarnição, comentou o cabo Santos numa referência ao cabo Barbosa, policial militar que morreu depois de socorrer uma sem-teto no Rio Tamanduatei.


