No Dia Internacional da Mulher, comemorado no domingo (8), Paulo Ricardo Soares, 32, assassinou a companheira, Franciele Silva dos Santos Cândido, 34, com dezenas de facadas em sua residência, em Ibaiti (Norte Pioneiro). Gritando, em estado alterado e com as pernas ensanguentadas, o homem foi até a casa de um sargento que estava de folga para se entregar, confessando que havia acabado de matar a namorada, motivado por ciúmes. Assumiu ainda que estava sob efeito de álcool e cocaína, sendo preso em flagrante e autuado pelo crime de feminicídio.

O casal mantinha um relacionamento há três anos, definido pelo agressor como conturbado. Quando a equipe da Polícia Militar chegou na casa de Soares, acionada pelo sargento após a confissão, encontrou Franciele caída no chão, “completamente ensanguentada, sem vestimentas e com grande quantidade de sangue ao redor”, conforme o boletim de ocorrência. Também apresentava sinais de asfixia e múltiplas perfurações por arma branca.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi contatado e os policiais retornaram à casa do sargento, onde Santos, que é mecânico, estava “sem camiseta e com grande quantidade de sangue pelo corpo”, segundo o B.O. O autor relatou que, após o consumo de bebidas alcoólicas e cocaína junto da vítima ao longo do dia, iniciou-se uma discussão motivada por ciúmes, com ele a enforcando e desferindo os golpes de faca.

Luta corporal

Durante o interrogatório na 37ª Delegacia Regional de Polícia de Ibaiti, o namorado contou que Franciele afirmava a todo momento que ia embora de sua residência, com Santos pedindo para que ela permanecesse onde estava. Relatou que observou uma mensagem recebida pela companheira, que lia “que horas você vem?”. Na sequência, afirmou que Franciele retirou um preservativo que estava em seu cabelo, escondido no coque, e ao pedir que ela mostrasse o objeto, a mulher teria o engolido.

O mecânico garantiu que a namorada iniciou a luta corporal que se sucedeu a partir do momento que ele tentou retirar o preservativo da boca da vítima. Disse que Franciele “veio para cima de mim e começou a me bater”, teria pegado uma faca na cozinha e a empunhado contra ele. O homem teria segurado a arma e machucado seus dedos, quando passou a estrangulá-la, tomou a faca e desferiu os golpes contra ela, conforme o B.O. Pontuou que a mulher perdeu as roupas quando ambos caíram no chão durante a luta, que foram rasgadas.

Disse ainda que acreditava que iria morrer durante o suposto combate, afirmando que “não tinha jeito de segurar ela” e a chamando de “mulher brava”, que já teria o ameaçado de morte “por várias vezes”. Ele foi levado Hospital Municipal de Ibaiti, onde foi constatado que apresentava cortes nos dedos da mão direita. Durante o atendimento, Santos afirmou repetidas vezes que estava sendo perseguido por alguém que queria matá-lo. Indagado a respeito, assumiu que fez uso de cocaína logo antes do assassinato.

Violência recorrente

A faca utilizada no crime foi localizada e apreendida pelos policiais em um quintal vizinho, após o autor indicar o local onde havia descartado a arma no trajeto para a casa do sargento. Ela continha vestígios de sangue e fios de cabelo.

O investigado já havia sido preso, possuindo registros anteriores por violência doméstica contra sua ex-esposa. Ele foi encaminhado ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça. Sua prisão foi convertida em preventiva pelo crime de feminicídio.

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