Curitiba- A cabeleireira Márcia de Freitas Salvador, de 32 anos, viveu uma história típica das novelas globais por quase 45 horas. Ela foi a autora do sequestro da recém-nascida Gabriele, no último sábado, e confessou que praticou o crime por amor. Em rápida entrevista à imprensa, Márcia chorou muito. De cabeça baixa o tempo todo, confessou: ''Foi pelo amor do meu namorado. Mas não valeu a pena e estou arrependida.''
No ano passado, ela teria iniciado um romance com Edson Luis Túlio. Os dois teriam ido morar juntos no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. Entretanto, com apenas dois meses de gravidez, Márcia teve um aborto espontâneo em agosto do ano passado e escondeu o fato. Ela foi para São Paulo e pretendia reatar o namoro aparecendo com uma criança.
De acordo com o depoimento dela ao Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride), o sequestro não havia sido premeditado. Por volta das 22 horas de sábado, Márcia teria tentado entrar pela garagem do hospital vestida de branco e dizendo que era enfermeira. Um segurança e um policial militar, que estavam no local, teriam impedido a entrada dela por não portar documentos que comprovassem que era enfermeira e que precisava entrar. Márcia então teria resolvido entrar pela lateral do hospital, destinada para os conveniados (pacientes com planos de saúde).
Ela teria entrado sem ser abordada por ninguém e teria ido até o sétimo andar, onde ficavam as enfermarias da maternidade. Antes tentou forçar uma porta mas não teria encontrado meninas. Na segunda enfermaria, ela teria entrado e perguntado se eram bebês do sexo feminino e pedido a menina mais nova. Depois de pegar Gabriele, que estava com um macacãozinho, ela teria saído pela mesma porta de entrada dos convênios com o bebê no colo e sem ser abordada. ''Ela saiu vestida de branco, da mesma forma como entrou. Como se fosse uma enfermeira e ninguém viu nada. Ela estava com um bebê no colo e foi embora tranquilamente de ônibus'', relatou a delegada Márcia Tavares, titular do Sicride e responsável pelas investigações.
A cabeleireira teria ficado apenas uma hora dentro do hospital. Em seguida, ela teria ido para a casa do namorado apresentar o bebê que seria registrado como ''Taísa''. Túlio teria pedido a documentação da criança e a comprovação de que ela tinha tido mesmo a menina. Nervosa, Márcia Salvador teria ido para a casa onde morava, no bairro do Sítio Cercado. Por volta das 16 horas, uma denúncia anônima levou os policiais do Sicride à de Túlio, que confessou ter visto a namorada. Ele mesmo teria levado os policiais até a casa dela.
O nome da cabeleireira já estava entre os que foram levantados pela polícia antes da denúncia anônima feita anteontem. ''Tínhamos feito um ofício para todos os hospitais pedindo informações sobre as mulheres que tinham tido aborto espontâneo ou tinham sido mães de crianças mortas no período pesquisado'', declarou a delegada.
Márcia foi casada e era viúva. O marido morreu no Hospital Evangélico, em Curitiba. Pelo tempo que o acompanhou no hospital, ela conhecia o esquema de segurança e o funcionamento das enfermarias.

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