Rio - Ana Lúcia Neves, de 49 anos, mulher do presidente da empresa Trem do Corcovado, Sávio Neves, morreu após ser baleada durante uma suposta tentativa de assalto no Recreio dos Bandeirantes, bairro na zona oeste do Rio, por volta das 10h30 de ontem. Ela chegou a ser levada por bombeiros ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na mesma região, mas morreu durante a cirurgia que tentava conter uma hemorragia.
Logo após o atendimento à vítima, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, segundo os médicos, o ferimento aparentava ter sido causado por faca. Mais tarde, a Polícia Civil confirmou que a vítima fora atingida por um tiro. Uma cápsula de pistola foi recolhida no local do crime.
Segundo a Delegacia de Homicídios do Rio, que investiga o crime, Ana Lúcia estava em seu carro, um Mitsubishi, e tinha acabado de sair de uma unidade da academia Rio Sport Center, quando foi abordada por pelo menos dois criminosos, de acordo com testemunhas. Não se sabe se ela tentou fugir. A mulher foi atingida por um único tiro. Os criminosos fugiram sem levar nada, conforme informação policial. Policiais militares do 31º Batalhão (Barra da Tijuca) fizeram buscas pela região, mas não localizaram suspeitos.
Nascida no Rio, Ana deixa três filhos - dois meninos e uma menina com idades entre 13 e 16 anos. Os pais dela moram em Portugal e estão a caminho do Brasil para acompanhar o enterro, ainda sem data. Até a conclusão desta edição, o corpo da mulher não havia sido liberado pelo Lourenço Jorge, de onde seguiria para o Instituto Médico Legal (IML).
Além de presidir a companhia administradora do trenzinho turístico do Corcovado, que leva visitantes ao monumento do Cristo Redentor, Sávio Neves integra órgãos de apoio ao turismo e ao transporte ferroviário. Primo do senador Aécio Neves (PSDB) e sobrinho do vice-governador Francisco Dornelles (PP), ele tem 50 anos e foi candidato a deputado federal pelo PEN na eleição de 2014. Com 17.226 votos, não se elegeu.
No momento do crime, Neves e empresários da área de turismo participavam de reunião na Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro. Avisado por telefone sobre o crime, seguiu para o hospital, onde soube da morte da mulher, com quem era casado havia 20 anos. O empresário chegou a ser ouvido pela polícia, por telefone. Aos jornalistas, ele não havia dado declarações até as 19h15.
"O choque é imenso, difícil de acreditar até agora. A gente perde uma menina jovem, mãe de três filhos, mulher de um empresário que investe na cidade. É mais um caso inexplicável, sem palavras. Mais uma família que sofre as consequências dessa cidade", disse Elza Calazans, assessora de Sávio Neves. O presidente da TurisRio, Paulo Senise, amigo da família, também lamentou o episódio.

mockup