Mulher de líder do MST é presa em São Paulo
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quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Homéro Ferreira<br> Especial para a Agência Estado 
Presidente Prudente, SP - A mulher do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior, Diolinda Alves de Souza, foi presa ontem à tarde em sua casa em Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, no oeste de São Paulo. Ela foi condenada em primeira instância a dois anos e oito meses de prisão por formação de quadrilha. O mandado foi expedido pelo juiz Atis de Aráujo Oliveira, da comarca de Teodoro Sampaio, o mesmo que determinou a detenção de Rainha e de Felinto Procópio dos Santos, o Mineirinho, outro líder do MST, em julho, acusados de furto e formação de quadrilha.
Sem algemas, Diolinda foi para a sede regional da delegacia de Presidente Venceslau, onde passou por exame de corpo de delito e foi levada para o vizinho município de Piquerobi. Está presa na cadeia pública, um presídio feminino. Rainha e Mineirinho foram transferidos no sábado de Presidente Venceslau para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. Rainha já foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por porte ilegal de arma.
Para o presidente da União Democrática Ruralista (UDR) paulista, Luiz Nabhan Garcia, a prisão de líderes do MST ''é uma decorrência do que eles fizeram''. O presidente do PT, José Genoino, disse respeitar o Poder Judiciário, mas, para ele, a sentença de Oliveira ''contribui para radicalizar o conflito'' na região.
O processo que determinou a prisão de Diolinda é de 2000 e mais dez integrantes do MST estão envolvidos. A líder já havia sido presa outras duas vezes. Em 1996, ficou 18 dias no Complexo Penitenciário do Carandiru, em São Paulo. Libertada depois de fazer uma greve de fome, voltou a ser presa no ano seguinte: ficou 48 dias na cadeia de Álvares Machado. Nas duas ocasiões foi acusada de formação de quadrilha. Ela é reconhecida como uma das militantes de maior atuação no MST e ganhou o apelido de ''guerreira''.
Recentemente, o promotor Marcelo Creste, de Teodoro Sampaio, manifestara intenção de pedir a prisão de Diolinda, mas não o fez levando em conta o fato dela ser mãe de duas crianças: Sofia, de 2 anos e meio, e João Paulo, de 10. Por causa deles, foi detida aos prantos.
Em função da segunda gravidez, Diolinda esteve afastada da militância, mas voltou em julho deste ano para ajudar na coordenação do Acampamento Jahir Ribeiro, em Presidente Epitácio. Foi o menino João Paulo quem ligou para o coordenador regional do MST, Wesley Mauch, dando a notícia da prisão da mãe.
O coordenador do acampamento, Edi Ronan Ribeiro, de 46 anos, culpou ontem o governo do Estado pela prisão da líder. ''O governo está pondo lenha na fogueira e o caldeirão vai ferver'', afirmou. Ele disse que o clima entre as 4 mil famílias acampadas é de revolta. Mauch afirmou que os advogados do MST estão preparando recursos contra a prisão de Diolinda. (Colaboraram José Maria Tomazela, Flávio Mello e Roldão Arruda)


