São Paulo, 18 (AE) - A mulher de Dias Gomes, a catarinense Maria Bernardete Dias Gomes, de 36 anos, chegou ao Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo às 3h23. Segundo boletim médico, divulgado no início da tarde, ela estava consciente, respirava bem, não tinha sangramento forte e apresentava apenas um corte nos lábios. Ainda de madrugada, foi submetida a uma pequena cirurgia plástica. Ela e Dias Gomes não usavam cinto de segurança quando aconteceu o acidente.
Nas primeiras horas da internação Maria Bernardete fez exames complementares (raio X, tomografia computadorizada e ultrassonografia do abdome). De acordo com o boletim médico, seu quadro era normal. Mesmo assim, ela passaria por nova bateria de exames, principalmente para a confirmação de que não havia nenhum trauma na coluna cervical, pois ela reclamava de fortes dores nas costas. Os médicos imobilizaram sua coluna.
Até o início da tarde os dois filhos de Dias Gomes , Alfredo e Guilherme, não sabiam como dar a notícia da morte do escritor a Bernardete. Ela viajava ao lado do marido, no banco de trás do táxi. Uma testemunha do acidente disse que Maria Bernardete foi parcialmente projetada para fora do carro, mas não chegou a cair.
Maria Bernardete estava casada com Dias Gomes fazia 15 anos. Era a segunda mulher do dramaturgo, que por 30 anos foi casado com Janete Clair, uma das maiores novelistas do País. Em boa forma aos 76 anos, Dias Gomes gostava de lembrar que foi pai aos 70. Costumava dizer que ser pai, nessa idade, lhe criava um "ótimo problema" - o de ter de manter-se sempre jovem. O escritor teve duas filhas com Maria Bernardete: Maíra e Luana.
Quando lhe perguntaram, certa vez, se tinha medo da morte, ele respondeu: "Sempre a encarei de uma maneira muito bem-humorada." Basta que os telespectadores se lembrem de como ele tratou do assunto em "O Bem Amado": as autoridades de Sucupira, cidade da série, não conseguiam inaugurar seu cemitério por absoluta falta de defunto.

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