Mulher de 96 anos é destaque na Vila Olímpica
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sábado, 02 de setembro de 2000
Tote Nunes Agência Estado De Sydney 
A Vila Olímpica, que vai abrigar cerca de 10.200 atletas de 199 países, foi aberta pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) oficialmente ontem, em uma cerimônia simples e rápida, cuja principal atração foi Edie Payne - uma senhora de 96 anos que guarda boa parte da história olímpica da Austrália.
Nascida em 1906, ela participou dos Jogos Olímpicos de 1928, em Amsterdã. Correu nas provas de 100 m e 800 m. Não venceu nenhuma (chegou em terceiro na de 100 e apenas em quinto nos 800), mas isso era o que menos importava na solenidade. Locomovendo-se numa cadeira de rodas, a velhinha recebeu os agradecimentos das autoridades do Comitê Organizador dos Jogos de Sydney; um ramalhete de flores e chorou muito. Conseguiu dizer apenas uma frase: Estou muito feliz.
A Vila Olímpica é uma pequena cidade. Possui lanchonete, churrascaria, sala de musculação, um centro de música e, pela primeira vez nos Jogos, um templo budista. Os atletas e integrantes das delegações não terão telefone, mas serão protegidos por uma megaoperação de segurança, que incluirá policiais municipais, estaduais e soldados do exército.
O Comitê Organizador investiu US$ 50 milhões em todo o sistema de segurança da Olimpíada, que inclui 5 mil policiais, 3,5 mil integrantes do corpo de bombeiros e 3 mil seguranças, além de 5 mil soldados. Uma operação específica contra o terrorismo já está em curso, desenvolvida pela Força de Defesa Australiana (ADF) e boa parte dessa estrutura tem as atenções voltadas para a Vila Olímpica, localizada a menos de dois quilômetros do estádio Olímpico de Sydney, local da abertura e encerramento dos Jogos.
A delegação brasileira - de 204 atletas - vai ficar na Rua 15 - entre a 34 e a 32, no setor azul, batizado de Estrela do Mar. O grupo vai ficar em 13 casas e terá como vizinhos mais próximos os atletas argentinos, venezuelanos e canadenses. As paredes dos quartos foram decoradas com desenhos desenvolvidos por crianças australianas. Os hóspedes ilustres que vão passar a ocupar o imóvel a partir de agora terão uma obrigação: autografar os desenhos, que posteriormente serão devolvidos aos autores.
O pessoal do vôlei masculino terá algumas regalias. Por serem bem mais altos que a maioria dos atletas, ganharam uma cama diferente. A base de metal foi desenvolvida especialmente para gente muita alta e, com isso, poderá crescer, dependendo da ocasião. A cama - que mede 1,80 de comprimento, pode chegar a 2,10 m.
Os atletas do iatismo Torben Grael e Marcelo Teixeira, da Classe Laser, pretendiam ser os primeiros brasileiros a entrar na Vila. Durante boa parte da tarde, os dois estiveram na Baía de Sydney, local das competições, montando os barcos. Até o começo da noite deveriam ocupar seus quartos na Vila.
Mais um grupo de atletas deverá chegar à Austrália neste domingo. Está prevista a chegada do velejador Robert Scheidt; do cavaleiro Alvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda, da levantadora de peso Maria Elizabete Jorge e do esgrimista Marcos Martins.


