Mulher confessa ter abandonado bebê no Terminal Urbano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 

Após 11 dias de investigação, o Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente) de Londrina, localizou a mulher que teria abandonado a filha recém-nascida na lixeira do banheiro do Terminal Urbano Central, na sexta-feira (3).
Em depoimento, a jovem que possui entre 18 e 25 anos, confessou o abandono, revelando ter sido vítima de estupro e justificando o abandono por acreditar que a criança estava morta. Chamada de Sara, pela equipe de médicos e enfermeiros da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, a bebê passa bem e segue internada apenas para ganhar peso.
Ela nasceu em idade gestacional adequada, mas com 1.87 quilos. O coordenador médico da maternidade, Eduardo Cristofoli Silva, diz que a criança demanda cuidados, mas não requer acompanhamento cardiológico ou respiratório. "O quadro é estável. Ela segue internada porque agora está pesando 1.82 e precisa atingir pelo menos 2 quilos para ter alta", afirma.
Para um confronto genético, materiais tanto da bebê quanto da possível mãe foram coletados na segunda-feira (13) e enviados para Curitiba (região metropolitana de Curitiba). A mulher foi encaminhada para a 1ª Vara da Infância e Juventude e vem sendo atendida pela equipe do NAE (Núcleo de Apoio Especializado à Criança e ao Adolescente).
A delegada do Nucria em Londrina, Lívia Pini, disse em entrevista coletiva na manhã de terça (14), que a mulher já manifestou o desejo de entregar a criança para adoção. A juíza titular da 1ª Vara da Infância e Juventude, Camila Tereza Gutzlaff, diz que não pode comentar o caso, pois corre em sigilo. Ela apenas adiantou que "a mãe já foi ouvida e está aguardando o prazo legal para encaminhamento, que é de 10 dias".
A mulher segue em liberdade até que se confirmem todos os elementos da investigação. A princípio, segundo Pini, ela responderá pelo crime de abandono de incapaz (até três anos de prisão). "Estamos apurando se a versão dos fatos apresentada por ela é verdadeira", informa, sem descartar a possibilidade dela também responder por tentativa de homicídio. "Vai depender dos elementos que ainda serão colhidos", completa.
A expectativa é que o inquérito seja concluído em 30 dias. Isso, segundo a delegada, vai depender dos laudos dos exames e da oitiva de outras testemunhas. "A gente pede que se alguém tiver alguma outra informação, que nos procure."
DEPOIMENTO
A delegada do Nucria comenta que no início do depoimento, a jovem se mostrou bastante rígida e chegou a negar os fatos, mas que minutos antes da confissão, acabou se emocionando e chorou. A mulher afirmou que estava em estado de choque no momento do nascimento da criança e que não entrou em contato com ninguém, ao ser questionada sobre a possibilidade de pedir ajuda naquele momento.
"Ela disse que ninguém do meio social dela sabia sobre os fatos (gravidez) e que era comum sentir cólicas fortes, o que a levou acreditar que seria este o caso. É pouco crível essa versão. A gente tem relatos de pessoas que chegaram a questioná-la se estava grávida e ela teria sustentado que não. Mas para a questão do crime do abandono, isso é irrelevante", ressalta.
De acordo com Pini, a mulher é divorciada e possui outros filhos. "Ela forneceu poucas informações sobre o estupro. Caso haja mais elementos, isso será apurado pela Delegacia da Mulher. No depoimento, ela afirmou não conhecer o estuprador, pois o fato teria ocorrido na rua e em período noturno", comenta Pini.
A investigação do Nucria partiu das imagens rastreadas pela equipe de segurança do Terminal Central. Com esse material e as denúncias recebidas, o órgão identificou três suspeitas e após ouvir testemunhas, chegou a esta mulher.
A delegada conta ainda que o órgão ligou para a empresa onde ela está empregada e obteve a confirmação de que ela não foi trabalhar naquele dia. A mulher foi chamada para depor e confessou o crime.
O CASO
Na tarde de sexta-feira (3), um bebê recém-nascido foi encontrado dentro de uma lixeira de um banheiro feminino, no Terminal Central de Londrina. Conforme o chefe de segurança dos terminais, Djalma Antônio, uma colaboradora estava fazendo a limpeza do banheiro feminino do piso inferior quando encontrou uma sacola branca com um bebê e correu chamar os seguranças.
À FOLHA, Antônio contou que o bebê chorou quando mexeram na sacola e que ainda estava com a placenta. A criança recebeu o primeiro atendimento do Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) e foi encaminhada à maternidade municipal.
Serviço: O Nucria fica na rua Gago Coutinho, 833, no jd. Caravelle e atende pelo fone: (43) 3325-6593


