Curitiba - Mulheres sozinhas com baixo rendimento e pouca escolaridade estão cada vez mais à frente das famílias paranaenses. Esta é uma das principais constatações dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2000, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total de 2.664.276 de domicílios contabilizados no Paraná, 78,6% estão sob responsabilidade masculina e 21,4% de mulheres. Comparando com os dados levantados pelo Censo de 1991, houve um aumento de 44,4% na proporção de domicílios com responsáveis mulheres no Estado.
Curitiba apresentou a maior proporção de domicílios cujo responsável era mulher (28,9%). Em todo o País, 1,8 milhão de crianças moram só com as responsáveis mulheres, sem cônjuge, que têm rendimento mensal de até dois salários mínimos.
O estudo sobre o rendimento médio do responsável demonstra que este oscilou entre R$ 446 e R$ 491, nos municípios menores com até 20 mil habitantes e que o maior valor foi observado em Curitiba (R$ 1.431). O rendimento médio da responsável mulher representou, no geral, 69,2% do rendimento do responsável homem.
O levantamento apresenta ainda indicadores sobre o analfabetismo. Nos municípios até 10 mil habitantes, 46% dos responsáveis por domicílios têm menos de quatro anos de estudo, o chamado analfabetismo funcional, contra 14% nos municípios maiores. Houve ainda um crescimento de 24,3% (1,2 ano) na média de anos de estudo dos responsáveis pelos domicílios no Estado. Essa melhora é verificada para a totalidade dos municípios, porém de uma forma ligeiramente mais acentuada para as mulheres.
Uma das propostas do levantamento foi verificar o ambiente em que vivem as crianças de zero a 6 anos, identificando os domicílios passíveis de afetar de forma mais direta seu desenvolvimento.
Observou-se um aumento da proporção de crianças vivendo em domicílios cujo responsável não tinha cônjuge (8,6%, em 1991, para 12,9%, em 2000). Esse crescimento, no entanto, foi diferenciado entre os domicílios chefiados por homens (44,6%) e mulheres (49,7%).
Outro indicador se refere à proporção de crianças vivendo em domicílios onde o responsável possuía rendimento de até dois salários mínimos apresentou, no qual houve uma variação significativa de 57,5%, em 1991, para 43,2%, em 2000. Tomando-se como universo o total de crianças que viviam em domicílios com responsável mulher sem cônjuge, a redução da proporção de rendimentos até dois salários mínimos foi observada na maioria dos municípios do Estado. Além disso, em virtude da melhora apresentada na escolaridade dos responsáveis e no saneamento dos domicílios, observou-se, uma redução da proporção de crianças na referida faixa etária que vivia em domicílios com saneamento não adequado (-20,6%) e com responsáveis de baixa escolaridade (-33,3%).

mockup