Mulher chefia quase 30% dos lares do país
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sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Janaina Lagee Pedro Soares<BR>Agência Estado 
Rio- De segunda a sábado, das 7h às 20h, ela ganha a vida fazendo unhas em um pequeno salão montado na garagem de casa, na zona leste de São Paulo. À noite, cuida do marido e dos afazeres domésticos. Angela Maria Lima de Brito Oliveira, 48, está no crescente contingente de mulheres que chefiam o lar e são casadas: eram 20,7% das chefes de família em 2006, mais do que os 9,1% de 1996.
Pelos dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, quase 30% dos domicílios do país _29,2%_ tinham, em 2006, mulheres à frente. O percentual era menor em 1996 _21,6%.
Segundo Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa, a grande novidade que veio à luz nos últimos anos é o aumento de mulheres que, mesmo casadas, chefiam o domicílios. De um lado, diz, é reflexo do ''empoderamento'' das mulheres, que passaram a ganhar, a assumir cargos de gerência e se integrar mais ativamente na vida social. De outro, avalia, retrata também o problema do desemprego e da carência de renda dos homens.
Apesar da forte expansão nos últimos anos, a chefia feminina do lar predomina ainda em residências onde elas vivem sem o marido _79,3% em 2006, contra 91,9% em 1996.
Na definição de quem é o chefe, o item mais importante é, sem dúvida, a renda. ''Nunca parei para pensar nisso, mas, de fato, se sou eu quem ganha mais e paga a maior parte das contas, eu sou a chefe da família'', diz Angela, que ainda ajuda o filho que estuda no Rio.
Ela consegue um rendimento de cerca de R$ 1.800 com a atividade de manicure e a venda de cosméticos e produtos em catálogos. O marido, o cabeleireiro aposentado Nelson Antonio de Oliveira, 74, ganha um salário mínimo e meio do INSS.
''Eu pago a luz, o telefone. Quase todas as despesas. O Nelson se aposentou em 1991, mas a aposentadoria dele veio um fracasso. Já recorremos à Justiça, mas nada. Ele trabalhou durante um tempo comigo no salão cortando cabelo, mas ficou doente e parou de vez há dois anos'', conta Angela.
18,5 milhões
Dos 38,4 milhões de casais do país, o percentual de mulheres que se declaram como chefes de família é de 8,3%. Em 1996, elas não passavam de 2,6%.
Em geral, a pessoa de referência era apontada com base no maior rendimento e de acordo com a posição na ocupação. Nos lares chefiados por homens, 73% das mulheres ganham menos.
Segundo o IBGE, o total de mulheres que chefiavam o lar subiu de 10,3 milhões em 1996 para 18,5 milhões em 2006 _alta de 79%. Já o de homens cresceu menos _25%. Aumentou também a proporção de domicílios com mulheres com filhos e sem marido _de 15,8% em 1996 para 18,1% em 2006.


