O alvo da próxima campanha brasileira de prevenção à Aids, a ser lançada em dezembro pelo Ministério da Saúde, é a mulher casada e fiel. Sob o lema ‘‘Não Leve a Aids para Casa’’, a campanha buscará conscientizar os homens da importância do uso do preservativo nas relações sexuais extraconjugais e também em suas relações estáveis, no caso de exposições passadas a comportamentos de risco.
Números do Ministério da Saúde mostram que 76% das pessoas sexualmente ativas não usam o preservativo - a grande maioria age assim porque se acredita protegida pela fidelidade conjugal. Por outro lado, a doença vem crescendo entre as mulheres, enquanto se mantém estável entre os homens e já apresenta sinais de diminuição entre os homossexuais e os usuários de drogas injetáveis. Números do último anuário estatístico da Aids no País mostram que, embora o padrão nacional da epidemia ainda seja de dois homens infectados para cada mulher, a proporção já apareceu invertida em 229 municípios brasileiros com menos de 50 mil habitantes.
Segundo o Ministério da Saúde, se a Aids continuar aumentando entre as mulheres nesse ritmo, em dois anos o padrão estará invertido. ‘‘Dessas mulheres contaminadas, 50% são casadas e se acreditam protegidas’’, afirmou ontem o coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira. ‘‘Essas mulheres não têm a percepção do risco que correm e têm dificuldade de impor medidas de prevenção.’’ Por essas razões, explicou Teixeira, a campanha é voltada para a conscientização dos homens.
A campanha também incentivará os indivíduos do sexo masculino a fazer o exame de Aids ou usar camisinha ao iniciarem novas relações, de forma a preservar a parceira. ‘‘Queremos também que os casais discutam se tiveram comportamentos de risco no passado e, em caso positivo, usem o preservativo.’’ Pesquisa sobre o comportamento sexual da população brasileira, realizada pelo Ministério da Saúde no ano passado, mostra que 81,5% dos brasileiros vivem relações estáveis.
Desse total, 12,5% dizem ter também relacionamentos eventuais paralelamente. Segundo a pesquisa, nesse conjunto de indivíduos, 33,8% não utilizam o preservativo na relação estável, mas o utilizam na eventual. Porém, 31,6% dizem não utilizá-lo em nenhuma das duas ocasiões.

mockup