Muitos refugiados podem não querer voltar, diz organização
Genebra, 11 (AE-AP) - A maioria dos refugiados de Kosovo deve ser capaz de retornar para sua casa em poucos meses, mas muitos que viviam nas maiores cidades da província podem decidir que não vale a pena voltar, informou hoje (11) a Organização Internacional para Migração.
Quase mil pessoas continuam a deixar diariamente campos de refugiados na Macedônia com destino a terceiros países apesar da paz que poderia permiti-los voltar para casa dentro de semanas, disse Jean-Philippe Chauzy, porta-voz da OIM, que tem organizado a evacuação.
Uma pesquisa promovida pela OIM mostrou que quase 25% dos 106.000 refugiados em campos na Macedônia vieram da capital provincial de Pristina, e Chauzy disse que isto pode ter um impacto no retorno dos refugiados.
"Pessoas da zona rural vão olhar mais para a terra que eles deixaram para trás do que para a propriedade deles, mas os dos centros urbanos vão pensar: Nós perdemos nossa casa de qualquer jeito, então, se podemos ir para outro país, vamos lá", afirmou Chauzy. "Nem todos voltarão".
Alguns países, como os Estados Unidos, têm adiantado que refugiados terão a oportunidade de ficar no país no fim do conflito, mas outros afirmam que os refugiados foram recebidos apenas temporariamente.
A agência para refugiados da ONU , Acnur, insiste que os refugiados não podem ser forçados a voltar contra a vontade deles, seja de campos de refugiados ou de terceiros países.
Chauzy disse esperar que o número de pessoas partindo da Macedônia diminua na próxima semana porque os maiores países que os recebiam, como França e Alemanha, vão atingir o limite de cotas que estabeleceram.
Não foram ainda finalizados planos para o retorno de refugiados que estão fora da região.
A Acnur afirma que sua prioridade maior é ajudar as pessoas que ainda estão em Kosovo, e só então irá providenciar abrigo e alimentação para as pessoas que retornarão espontaneamente da Macedônia e Albânia.
A Acnur avalia que mais de metade dos 860.000 refugiados que saíram de Kosovo desde 24 de março voltarão para casa nos próximos três meses, mas muitos outros passarão o inverno nos campos de refugiados.





