Por Nicolas B. Tatro
Jerusalém, 18 (AE-AP) - Ehud Barak está procurando alguns poucos bons aliados.
Será ele Ariel Sharon, o general linha-dura do Partido Likud, ou o ultraortodoxo Shas que representa os judeus originários do Oriente Médio? Talvez Natan Sharansky, o líder do maior partido de imigrantes russos?
Um dia depois da esmagadora vitória de Barak, eram intensas as especulações sobre quem iria unir-se a seu novo governo e qual seria o significado para seu objetivo de curar rixas nacionais e dar vida ao processo de paz.
Barak deflagrou as especulações com discursos de vitória sublinhando a necessidade de uma unidade nacional e sinalizou fortemente que iria buscar formar um governo de amplas bases com o maior número possível de facções.
Sharansky, que ganhou fama como um ativista dos direitos humanos encarcerado pelas autoridades soviéticas, disse que seu partido iria insistir em controlar o Ministério do Interior, que emite passaportes e carteiras de identidade além de distribuir benefícios para novos imigrantes.
O ministério é atualmente controlado pelo Partido Shas, que teve um grande desempenho eleitoral, conquistando 17 cadeiras e tornando- se o terceiro maior partido depois do Trabalhista, de Barak, e do Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que renunciou à sua liderança.
Comentando a renúncia de Netanyahu, o colunista Nahum Barnea do jornal Yediot Ahronot pediu a Barak para abrir as portas para um governo de unidade nacional que poderia "melhorar nossas chances de tomarmos difíceis decisões em relação a acordos com a Síria e os palestinos".
Com 15 partidos compondo o novo Knesset, as opções de Barak para formar um novo governo são quase tão numerosas quanto as combinações do cubo de Rubik.
A questão, afirmou o comentarista político Akiva Eldar do diário Haaretz, é se Barak irá convidar primeiro o Likud ou o Shas para seu governo.
"Acho que o primeiro chamado será para Ariel Sharon, e não ficaria surpreso se ele vir a ser o próximo ministro do Exterior de Israel", disse Eldar.
Isto apesar de Sharon, que foi escolhido como líder temporário do Likud, ser impopular com os pacifistas no partido de Barak por causa de ele ter recentemente convocado colonos judeus a se apossarem de colinas e expandir assentamentos, provocando um apimentado debate com os Estados Unidos.
Avrum Burg, um destacado integrante trabalhista, afirmou que Barak estava considerando alterar a legislação para aumentar as cadeiras no gabinete de 18 para 24, a fim de acomodar todos os concorrentes.
Mas ele manteve que a coalizão não seria de difícil controle como a de Netanyahu porque Barak tinha muitas opções entre as quais escolher e que nenhum integrante poderia ser o fiel da balança.
"A esmagadora vitória de Barak mudou completamente o jogo. A liderança de Israel não será mais prisioneira de pequenos partidos", disse Burg à ASSOCIATED PRESS.
Ele previu que Barak levará três semanas para finalizar um governo e poderia se dar ao luxo de estabelecer e impor regras de participação.
Numa tumultuada confrontação no Canal 2 da televisão israelense, Shlomo Ben Izri, um líder do religioso Partido Shas, enfrentou Tommy Lapid, um popular jornalista que explorou a onda de resentimento secular sobre exceções de alistamento militar para seminaristas judeus e generosos subsidios governamentais para a comunidade ultraortodoxa.
"Não, não, não", disse Lapid quando perguntado se ele abandonaria sua oposição e se sentaria com o Shas. Lapid, que é formado em direito, quer ser ministro da Justiça.
Na verdade, ninguém quer dividir o poder com o Shas a menos que seu líder, Arieh Deri, renuncie. Deri, que está apelando de uma sentença de quatro anos de prisão imposta por desvio de verbas quando foi ministro do Interior há uma década, anunciou hoje que iria renunciar ao Knesset mas continuaria como líder do movimento.
O trabalhista Yossi Beilin afirmou que a renúncia ao parlamento abriria caminho para o Shas participar nas negociações da coalizão.
Barak, disse Ramon, "tem de formar uma ampla coalizão porque ele tem duras decisões a tomar sobre todas as questões".
Entre elas estão um acordo final com os palestinos sobre a questão do Estado e do status de Jerusalém assim como uma retirada do Líbano e das Colinas de Golan, que foi capturadas da Síria.

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